Após acordo entre EUA e Irã, combates no Líbano diminuem, mas Hezbollah e Israel mostram sinais de desconfiança
15/06/2026
(Foto: Reprodução) Ataques ameaçam ruínas históricas no Líbano
Os combates entre Israel e Hezbollah no sul do Líbano diminuíram nesta segunda-feira (15) após o anúncio, no fim de semana, de um acordo entre os EUA e o Irã para pôr fim ao conflito no Oriente Médio
No entanto, Israel e Hezbollah mostram sinais de desconfiança. No Líbano, as autoridades locais alertaram as pessoas deslocadas para que não voltem às pressas para casa até que Israel retire suas tropas que estão no sul do Líbano.
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Mas o governo israelense disse que não moverá as tropas da região. Já o Hezbollah afirmou nesta manhã que Irã atrasou assinatura de acordo — que só será firmado na sexta-feira (19) — justamente para monitorar o cumprimento do cessar-fogo por Israel no Líbano.
Segundo disseram à agência de notícias Reuters fontes do Hezbollah e do governo libanês:
O Hezbollah não realizou novos ataques contra alvos israelenses após o anúncio do acordo;
Israel também reduziu significativamente seus ataques, embora tenham sido relatados alguns disparos de artilharia em cidades do sul do Líbano e pelo menos um drone tenha sido ouvido sobrevoando Beirute e seus subúrbios ao sul.
👉 O Líbano, país onde o Hezbollah atua, sofreu as consequências mais mortais do conflito entre EUA e Irã, com quase 3.800 pessoas mortas e cerca de 1,2 milhão de pessoas deslocadas. A ofensiva israelense na região começou após o Hezbollah, grupo terrorista poiado pelo Irã, abrir fogo contra o território israelense em apoio a Teerã, dias após EUA e Israel atacarem o território iraniano, no fim de fevereiro.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou em coletiva de imprensa nesta segunda que o respeito à soberania e à integridade territorial do Líbano faz parte do acordo com os Estados Unidos.
Israel diz que tropas permanecerão
Tropas do Exército israelense operando no Líbano em foto de 9 de abril de 2026.
Divulgação/Exército de Israel
No sul do Líbano, conselhos municipais pediram aos moradores que adiem o retorno para casa. A Força Aérea de Israel bombardeou intensamente algumas cidades da região nos últimos três meses, e outras mais próximas da fronteira ainda estão ocupadas por tropas israelenses.
Mona Mazeh, uma mulher deslocada abrigada no bairro de Hamra, em Beirute, não tinha planos imediatos de retornar à sua vila perto da cidade de Tiro, no sul. “Francamente, estamos hesitantes; não se pode confiar em Israel”, disse ela.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, cujo país não é signatário do acordo entre os EUA e o Irã, afirmou que Israel não se retiraria das zonas de segurança no sul do Líbano, em Gaza e na Síria, e que retaliará se o Irã atacar Israel devido aos eventos no Líbano.
Katz disse que a zona de segurança no sul do Líbano seria desocupada de residentes locais e que “toda a infraestrutura terrorista, incluindo casas nas vilas vizinhas”, uma referência ao Hezbollah, seria removida.
As Forças Armadas israelenses vêm arrasando locais no sul do Líbano há semanas, alegando que estão agindo contra militantes do Hezbollah infiltrados em áreas civis da região predominantemente muçulmana xiita. Centenas de milhares de xiitas libaneses estão se refugiando em outras partes do país.
Em Nabatieh, uma cidade devastada no sul, Mohammed Daqdouq disse que havia retornado na manhã de segunda-feira para verificar sua casa. “Vamos precisar de uma vida inteira para reconstruir — para reconstruí-la novamente e trazer Nabatieh de volta ao que era”, disse ele.
Bombas de Israel são vistas da praia de cidade histórica de Tiro, no Líbano