Após captura de Maduro pelos EUA, Delcy Rodríguez envia carta a Trump e fala em 'agenda de colaboração'

  • 04/01/2026
(Foto: Reprodução)
Donald Trump ameaça novos ataques na América Latina A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou neste domingo (4) uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo diálogo, o fim das hostilidades e uma "agenda de colaboração", menos de 24 horas após a captura de Nicolás Maduro por uma operação militar norte-americana (veja a íntegra). No documento, Delcy — que teve sua autoridade reconhecida pelo alto comando militar venezuelano após a retirada forçada de Maduro do país — afirma que a Venezuela "aspira viver sem ameaças externas" e faz um apelo direto à Casa Branca para evitar um conflito armado. "Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra", escreveu Delcy. A dirigente chavista propõe o estabelecimento de uma "agenda de cooperação" com Washington e defende um relacionamento baseado na "não ingerência", citando o líder deposto: "Esse sempre foi o predicamento [postura] do presidente Nicolás Maduro e é o de toda a Venezuela neste momento". Saiba quem é Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela A carta é divulgada em um momento de tensão máxima. Maduro e sua esposa foram capturados e levados de avião para os EUA. Eles devem se apresentar ao Tribunal Distrital Federal de Manhattan na segunda-feira (5). Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, informou que Maduro foi preso por agentes americanos para responder a acusações criminais que enfrenta no país. Rubio destacou, em entrevistas a canais norte-americanos, que os EUA não vão governar a Venezuela, mas usarão bloqueio do petróleo para pressionar o país. Vice-presidente e ministra do Petróleo da Venezuela, Delcy Rodríguez, fala à imprensa em Caracas, na Venezuela, em 10 de março de 2025. Reuters LEIA MAIS 🔴AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias em tempo real Após ataque à Venezuela, Trump diz que uma nova operação militar, contra a Colômbia, 'soa bem' 'Não vão nos ver fracos', diz filho de Maduro após operação dos EUA Além da captura de Maduro, os Estados Unidos atacaram diferentes bairros de Caracas durante a madrugada de sábado. Ainda neste domingo, antes da divulgação da carta de Delcy, Trump havia subido o tom contra a nova liderança em Caracas, afirmando que a presidente interina pagaria um "preço muito alto" se não cooperasse imediatamente com as exigências dos Estados Unidos. Na contramão da retórica agressiva, a carta de Delcy tenta abrir um canal diplomático para garantir a sobrevivência do governo interino e a soberania do país. "Meu sonho é que a Venezuela seja uma grande potência onde todos os venezuelanos e venezuelanas de bem possamos nos encontrar", diz o texto. Leia a íntegra da carta: "A Venezuela reafirma sua vocação de paz e de convivência pacífica. Nosso país aspira viver sem ameaças externas, em um ambiente de respeito e cooperação internacional. Acreditamos que a paz global se constrói garantindo primeiro a paz de cada nação. Consideramos prioritário avançar para um relacionamento internacional equilibrado e respeitoso entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da Região, baseado na igualdade soberana e na não ingerência. Esses princípios orientam nossa diplomacia com o restante dos países do mundo. Estendemos o convite ao governo dos EUA para trabalharmos conjuntamente em uma agenda de cooperação, voltada ao desenvolvimento compartilhado, no marco da legalidade internacional e que fortaleça uma convivência comunitária duradoura. Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra. Esse sempre foi o predicamento do Presidente Nicolás Maduro e é o de toda a Venezuela neste momento. Essa é a Venezuela em que acredito, à qual dediquei minha vida. Meu sonho é que a Venezuela seja uma grande potência onde todos os venezuelanos e venezuelanas de bem possamos nos encontrar. A Venezuela tem direito à paz, ao desenvolvimento, à sua soberania e ao futuro. Delcy Rodríguez, presidente em exercício da República Bolivariana da Venezuela" Forças armadas monitoram fronteira com a Venezuela

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/04/apos-captura-de-maduro-pelos-eua-delcy-rodriguez-envia-carta-a-trump-merecemos-paz-nao-guerra.ghtml


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