Após excomunhão, padre de grupo ultraconservador aposta em retorno à Igreja sob 'outro papa'
05/07/2026
(Foto: Reprodução) Vaticano excomunga bispos de grupo ultraconservador
Um padre de uma seita católica dissidente excomungada no início desta semana afirmou aos fiéis, neste domingo (5), que o grupo será aceito de volta à Igreja Católica sob o comando de um papa diferente.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X — um grupo rebelde de católicos ultraconservadores — foi excomungada após quatro bispos serem ordenados sem a aprovação do Papa Leão na quarta-feira (1º).
O grupo não demonstrou arrependimento pelo cisma com Roma, afirmando que o pontífice falhou em ouvir suas preocupações.
"Um dia haverá outro papa que abrirá a porta e nos receberá de volta. Assim como o Papa Bento [XVI]", disse o padre Georg Kopf durante uma missa realizada na cidade de Wil, no nordeste da Suíça.
Fundada em 1970, a fraternidade tem sede na Suíça, mas reúne seguidores em todo o mundo.
O grupo acusa a Igreja de se desviar da verdadeira fé, mantém a prática da missa tradicional em latim e rejeita o diálogo formal com não católicos.
Histórico de rupturas
Esta não é a primeira vez que o grupo enfrenta um rompimento com o Vaticano. No final da década de 1980, o fundador da fraternidade, Marcel Lefebvre, consagrou quatro bispos sem a aprovação do Papa João Paulo II, o que resultou na excomunhão dos envolvidos.
Esta fotografia mostra a tonsura do bispo francês consagrado Michel Poinsinet de Sivry durante a consagração cismática de bispos pela Sociedade de São Pio X (SSPX), organização católica tradicionalista, em Ecône, no oeste da Suíça, em 1º de julho de 2026.
FABRICE COFFRINI / AFP
Eles foram readmitidos em 2009, no entanto, quando o Papa Bento XVI buscou a unificação da Igreja e suspendeu a punição.
"Estou convencido de que haverá outro papa como ele, que dará à tradição o seu devido lugar novamente. Claro, gostaríamos que isso acontecesse amanhã", acrescentou Kopf.
O Vaticano afirmou que ofereceu diálogo ao grupo antes do cisma e que a ordenação de bispos sem a aprovação da Igreja é considerada uma infração tão grave que a excomunhão é automática.
"Nada do que aconteceu em 1º de julho teve a intenção de estabelecer uma igreja paralela ou de romper com Roma", disse Kopf em seu sermão, proferido em alemão.
"Pelo contrário, foi justamente por amor à Igreja e ao papa que essas ordenações foram realizadas, para zelar pela salvação das almas."