Bad Bunny x Trump: show do intervalo do Super Bowl vira palco de 'embate' entre artista e presidente dos EUA
09/02/2026
(Foto: Reprodução) Trump classifica como "terrível" show de Bad Bunny no Super Bowl
Bad Bunny, o astro latino e o artista mais escutado no mundo hoje, foi a atração do show do intervalo do Super Bowl, um dos maiores palcos do entretenimento no mundo. Mas o show se tornou também uma questão política nos Estados Unidos — as críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, são exemplo disso.
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Trump detona show de Bad Bunny no Super Bowl: 'Afronta à grandeza da América'
Veja FOTOS do show de Bad Bunny no Super Bowl
Logo após a apresentação, Trump chamou o show de Bad Bunny, que terminou levantando bandeiras de vários países do continente americano, de "absolutamente ridículo".
"Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante", continuou. "Esse 'show' é um tapa na cara do nosso país, que está estabelecendo novos padrões e recordes todos os dias".
O embate ultrapassou a música e expõe temas como a política anti-imigração de Donald Trump e o orgulho da identidade latino-americana, que é um dos principais temas do álbum ‘Debí Tirar Más Fotos’, o mais recente e premiado lançado pelo cantor porto-riquenho.
O anúncio do Bad Bunny como atração principal do famoso show do intervalo do Super Bowl, foi feito no dia 28 de setembro de 2025, provocou uma reação imediata de Trump.
Em entrevistas e declarações públicas, o presidente norte-americano afirmou que a escolha era “absolutamente ridícula”. Disse ainda que nunca tinha ouvido falar no cantor e acusou o artista de “espalhar ódio” nas mensagens que passa. As falas repercutiram amplamente nas redes sociais e na imprensa.
➡️ A mensagem de Trump não foi ocasional: além de ser um dos grandes fenômenos da músia atualmente, Bad Bunny é também muito conhecido por sua posição política de valorização da América Latina e por falas contra a política anti-imigração do governo de Trump.
O cantor Bad Bunny durante o show do intervalo do Super Bowl, em 8 de fevereiro de 2026.
REUTERS/Mike Blake
O cantor já se manifestou publicamente contra o ICE, os agentes federais do Serviço de Imigração e Fronteira dos EUA. Em um dos discursos no Grammy, em que ele levou 3 prêmios, chegou a dizer, no palco: ‘Fora, Ice’.
Antes do Super Bowl, um assessor da Casa Branca chegou a ameaçar o envio dos agentes federais de imigração para o estádio na Califórnia, onde ocorreu a partida. Isso nunca aconteceu na história dos EUA.
Embora não tenham sido registradas operações na porta do Super Bowl no domingo, a declaração foi interpretada como uma tentativa de intimidação ao enorme público latino de Bad Bunny.
Ao mesmo tempo, aliados de Trump também começaram a atacar o fato do show ser majoritariamente em espanhol, levantando questionamento sobre a identidade nacional e uma verdadeira “cultura americana”.
👉 Bad Bunny é um artista que faz questão de cantar e até mesmo dar entrevistas em espanhol. É um posicionamento político do artista para tentar colocar no centro das atenções o idioma falado na maior parte da América Latina.
Álbum critica
Por que a escolha de Bad Bunny para o intervalo do Super Bowl irritou alguns trumpistas?
Benito Antonio Ocásio Martínez é o nome real da figura por trás do Bad Bunny. Ele é natural de Porto Rico, uma pequena ilha no Caribe que, desde o século XIX, pertence aos Estados Unidos. Isso quer dizer que as pessoas que nascem no território têm a cidadania norte-americana, mas não o status político.
Ou seja, os porto-riquenhos não têm direito de votar nas eleições dos EUA, incluindo para presidente ou deputados. Porém, é o Congresso norte-americano que manda na ilha: controla as Forças Armadas e inclusive as relações de comércio que Porto Rico tem com o mundo todo.
No mais recente álbum, Bad Bunny traz músicas que criticam esse status da ilha e fala dos protestos e da luta por autonomia, como na canção "Lo que le pasó a Hawaii" ("O que aconteceu no Havaí", em tradução livre e em referência à anexação da ilha pelos EUA).
Para especialistas , o embate entre Trump e Benito simboliza um choque de futuro: de um lado, um presidente nacionalista que defende uma identidade norte-americana homogênea; de outro, o artista que fala da valorização da cultura latina, das próprias raízes, inclusive das pessoas que precisam deixar a terra natal para buscar oportunidades melhores.
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