Bloqueio em Ormuz pode fazer receitas do petróleo do Irã ‘cair para zero’, diz analista
30/04/2026
(Foto: Reprodução) Trump rejeita proposta do Irã e mantém bloqueio no Estreito de Ormuz
Os mercados reagem à possibilidade de ações militares em análise em Washington e à perspectiva de um bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos.
A passagem, estratégica para o comércio global, responde por cerca de um quinto do petróleo bruto transportado no mundo e está paralisada desde o fim de fevereiro. Com a interrupção, Teerã pode sofrer perdas significativas de receita.
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Na quarta-feira (29), uma fonte do governo americano afirmou que o presidente Donald Trump conversou com representantes de empresas do setor petrolífero sobre medidas para mitigar os efeitos do bloqueio aos portos iranianos. Ele também teria mencionado a possibilidade de estender a restrição “por vários meses”.
O movimento ocorre enquanto o próprio Irã mantém restrições à passagem de navios petroleiros que tentam deixar a região.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que a iniciativa dos Estados Unidos viola o direito internacional e está “condenada ao fracasso”.
Segundo ele, a medida não contribui para a segurança regional e tende a ampliar as tensões no Golfo no longo prazo.
Nesta quinta-feira, novas informações divulgadas pelo Axios também impactaram os mercados. De acordo com o veículo, Trump deve receber ainda hoje um relatório sobre possíveis planos de ação militar contra o Irã, com base em fontes próximas ao tema.
O cenário aumenta a incerteza no Oriente Médio e reforça o risco de interrupções prolongadas no fornecimento global de petróleo e gás.
Receitas do Irã sob pressão
Especialistas alertam que o Irã tem capacidade limitada de armazenamento de petróleo, suficiente para poucos dias. Com o bloqueio no Estreito de Ormuz, o país enfrenta dificuldades para exportar sua produção e precisa estocar o excedente, o que eleva os riscos operacionais.
Interromper a extração também não é uma solução simples, já que pode causar danos permanentes aos campos petrolíferos. Além disso, retomar a produção exige tempo e altos custos, com impacto direto sobre a capacidade futura e as receitas do país.
Segundo Homayoun Falakshahi, chefe de análise da Kpler, o acúmulo forçado de petróleo representa um risco técnico e financeiro relevante para o setor energético iraniano e intensifica a pressão sobre a economia.
“O armazenamento de petróleo pode atingir um limite crítico em cerca de 20 dias. Se o bloqueio persistir, as receitas, hoje estimadas entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões por mês, podem cair a zero”, afirmou o analista à RFI.
Outro especialista, Anthony Kettle, da RBC BlueBay Asset Management, disse à Bloomberg que o mercado ainda não precificou totalmente os efeitos de um conflito prolongado na região.
Mercados globais em queda e dólar em alta
As tensões também afetaram as bolsas asiáticas. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 1,05%, enquanto o Kospi, em Seul, recuou 1,38%. Outros mercados da região também fecharam em baixa, como Taipei (-0,96%) e Sydney (-0,24%).
A queda foi intensificada pela alta do petróleo, já que muitos países asiáticos dependem do Golfo para o abastecimento de energia.
No câmbio, o dólar avançou 0,11% frente ao iene, cotado a 160,59. A moeda americana já havia subido na véspera, impulsionada tanto pelo risco de interrupções no fornecimento de petróleo quanto pela expectativa de manutenção dos juros elevados pelo Federal Reserve.
Considerado um ativo de segurança em momentos de incerteza, o dólar se fortaleceu, enquanto o ouro subiu 0,64%, cotado a US$ 4.576 por onça, após um período de queda.
Na Índia, a rúpia atingiu o menor nível da história frente ao dólar. A alta contínua do petróleo aumentou as preocupações com o déficit externo do país, levando a moeda a cair cerca de 0,4%, para aproximadamente 95,26 rúpias por dólar, superando o recorde anterior registrado no fim de março.
Bloqueio em Ormuz pode fazer receitas do petróleo do Irã ‘cair para zero’, diz analista
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