Centenas de crianças migrantes ficam retidas em Ceuta, na Espanha, após travessia em massa

  • 04/08/2026
(Foto: Reprodução)
Um menino de 12 anos, desacompanhado de responsáveis, que cruzou a fronteira para a Espanha é escoltado por um soldado espanhol até a fronteira entre Espanha e Marrocos, no enclave espanhol de Ceuta. Bernat Armangue / AP A adolescente conseguiu vencer as ondas e chegar à Espanha. O irmão mais novo não teve a mesma sorte: morreu afogado no Mediterrâneo. A mãe desapareceu em meio ao caos, quando dezenas de milhares de pessoas atravessaram um quebra-mar tentando deixar o Marrocos para trás. A história trágica da jovem de 17 anos, natural de Tânger, representa a situação de muitos dos mais de 800 menores de idade que, quatro dias após a entrada coletiva de migrantes em Ceuta, enfrentam um presente difícil e um futuro incerto. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A jovem contou a um fotojornalista da Associated Press que ela e a família se juntaram à multidão que tentou contornar a nado uma cerca de fronteira para chegar ao território espanhol na última quinta-feira (30). Como muitos outros, buscavam melhores oportunidades. A identidade da adolescente não foi divulgada por ela ser menor de idade e estar em situação de vulnerabilidade. A menina relatou ter visto policiais espanhóis retirarem da água o corpo do irmão, de 8 anos. Ela conseguiu chegar à costa, mas se separou da mãe e passou os quatro dias seguintes sozinha. Segundo o relato, moradores locais lhe deram comida e roupas, e uma mulher a acolheu em casa para que pudesse tomar banho. Depois, procurou ajuda em um centro governamental para jovens, mas a unidade estava lotada. “Vi pessoas pisando em corpos”, disse, por meio de um tradutor, já que não fala espanhol. “Agora somos crianças pedindo esmola nas ruas.” Ela é uma das cerca de 860 crianças e adolescentes que permaneciam em Ceuta nesta segunda após a travessia, segundo autoridades locais. Jornalistas da AP viram outros menores pedindo comida. Esses menores representam uma parcela significativa dos 3 mil a 5 mil migrantes que evitaram a expulsão de Ceuta entre os cerca de 60 mil que chegaram ao enclave espanhol. As autoridades espanholas confirmaram 72 mortes durante a travessia, a maioria no mar. O Ministério do Interior da Espanha informou que o Marrocos registrou outras 11 mortes, que não estão incluídas no total espanhol. Menores têm direito à proteção pela lei espanhola Pela legislação espanhola, migrantes adultos podem solicitar asilo. Caso o pedido seja negado, ficam sujeitos a procedimentos de expulsão. Em geral, é difícil que marroquinos obtenham proteção humanitária. Já menores desacompanhados de adultos devem receber proteção e assistência das autoridades espanholas. Um jornalista da AP presenciou soldados espanhóis escoltando um menino marroquino desacompanhado que chorava e implorava para não ser enviado de volta ao Marrocos. A poucos metros da fronteira, diante da pressão de moradores que afirmavam que ele era menor de idade e da presença da imprensa, um tenente-coronel do Exército espanhol interrompeu a repatriação e transferiu o garoto para a Guarda Civil. LEIA TAMBÉM Crise em Ceuta: entenda por que milhares de marroquinos chegaram à Espanha, mas ainda assim não saíram da África Marrocos atribui crise migratória em Ceuta à desinformação e ao tráfico Como a crise migratória da Espanha gerou uma tempestade política — e foi alimentada pelas redes sociais A maioria dos adultos marroquinos voltou voluntariamente para casa ou foi devolvida à força pela polícia espanhola. Entre os que continuam em Ceuta há grupos significativos de pessoas de outros países, incluindo sudaneses que fugiram da guerra em seu país, palestinos da Faixa de Gaza, afegãos e migrantes de várias nações africanas. O centro de acolhimento para migrantes da cidade, com capacidade para 600 pessoas, está completamente lotado. Segundo a AP, há escassez de alimentos entre os migrantes. “A estratégia é que a fome, a sede e o cansaço façam essas pessoas decidir retornar voluntariamente ao Marrocos”, afirmou o ativista de migração Ramsés Mohamed Azumik, da associação Elín. Muitos migrantes dormem ou descansam na praia e nas colinas que cercam o pequeno território espanhol. Ao longe, do outro lado do mar, está a Europa continental, destino final almejado por grande parte deles.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/08/04/centenas-de-criancas-migrantes-ficam-retidas-em-ceuta-na-espanha-apos-travessia-em-massa.ghtml


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