Crianças palestinas são proibidas de soltar pipa em Gaza após Israel ameaçar novos ataques por causa de brinquedo

  • 25/08/2026
(Foto: Reprodução)
Pai e filho fazem pipa em acampamento para pessoas que perderam casas na cidade de Gaza Dawoud Abu Alkas/Reuters Pais em Gaza foram alertados para impedir que seus filhos soltem pipas no enclave devastado pela guerra, depois que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ameaçou "eliminar" quem soltasse os objetos. Soltar pipa é um dos poucos passatempos que restaram às crianças palestinas que vivem no território, em grande parte destruído pela guerra entre Israel e Hamas. Israel alega que o brinquedo pode ser usado como arma, citando pipas e balões incendiários usados pelo Hamas em 2018. Os comitês populares — compostos por representantes de organizações não governamentais locais e instituições de caridade que administram campos de desabrigados em Gaza — emitiram o alerta após ameaças de Israel de escalar os ataques. Israel reclamou junto ao Conselho de Paz do presidente dos EUA, Donald Trump — órgão que supervisiona a implementação do acordo de cessar-fogo de 2025 em Gaza — sobre as pipas, segundo uma autoridade israelense ouvida pela Reuters. Crianças amputadas de Gaza aprendem a nadar em programa de reabilitação "Toda atividade militante em Gaza deve cessar, incluindo o lançamento de pipas. Transmitimos essa mensagem diretamente por meio do mecanismo estabelecido", disse à Reuters uma autoridade do Conselho de Paz. O anúncio também foi coordenado com as autoridades do Hamas, segundo uma fonte do grupo militante. "Estamos trabalhando incansavelmente no terreno e fazendo todo o possível para acabar com essa prática — não para restringir a infância de nossos filhos, que já foram privados dos direitos mais básicos de brincar e viver em segurança, mas para proteger suas vidas inocentes", dizia o comunicado distribuídos às famílias palestinas. Em 2018, habitantes de Gaza enviaram balões e pipas incendiárias através da fronteira, causando incêndios em centenas de hectares de campos abertos e terras agrícolas, no que descreveram como um protesto contra o bloqueio israelense ao enclave controlado pelo Hamas. No último mês, várias pipas — sem materiais incendiários, neste caso — foram vistas cruzando de Gaza para Israel, alarmando israelenses que vivem em vilarejos próximos; essas localidades foram atacadas durante a ofensiva liderada pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza. Ameaças de Israel No domingo (23), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alertou o Hamas de que, se a prática não parasse imediatamente, os "responsáveis" pelo lançamento de pipas, balões ou drones em direção a Israel seriam alvos de eliminação, e que seria ordenada a evacuação das áreas de onde esses objetos são lançados. Umm Mohammed, uma mãe da Cidade de Gaza que falou com a agência Reuters por meio de um aplicativo de mensagens, disse estar preocupada com a possibilidade de seu filho se ferir. "Todo verão, meu filho Ahmed, de 10 anos, e as crianças da rua soltam essas pipas para se divertir, mas não vou mais permitir que ele faça isso", disse ela. Uma autoridade sênior de defesa de Israel afirmou que o Hamas estava tentando provocar Israel ao incentivar os habitantes de Gaza a soltar pipas através da fronteira. Um representante do Hamas disse à Reuters que o grupo reclamou aos mediadores do cessar-fogo que "Israel estava criando pretextos falsos para continuar a guerra contra Gaza". Ataques israelenses, mesmo após cessar-fogo Um cessar-fogo firmado em outubro de 2025 interrompeu os combates de maior escala, mas não pôs fim aos ataques israelenses. Um ataque aéreo israelense matou um palestino na terça-feira na área de Mawasi, em Khan Younis, no sul do enclave. As forças armadas de Israel informaram ter visado um militante, sem fornecer mais detalhes. Ataque aéreo israelense atinge mesquita na Cidade de Gaza, em 28 de julho de 2026 Dawoud Abu Alkas/Reuters Mais tarde, outro ataque aéreo israelense matou pelo menos três pessoas nas proximidades de uma escola que abrigava famílias deslocadas em Jabalia, no norte de Gaza, segundo equipes médicas. As forças armadas de Israel não comentaram de imediato. Mais de 1.280 palestinos foram mortos em Gaza desde que o cessar-fogo entrou em vigor em outubro passado, segundo autoridades de saúde de Gaza, enquanto as forças armadas de Israel relatam a morte de quatro soldados israelenses.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/08/25/criancas-palestinas-sao-proibidas-de-soltar-pipa-em-gaza-depois-de-israel-ameacar-novos-ataques-por-causa-de-brinquedo.ghtml


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