Cúpula do Mercosul critica assimetrias com UE e prepara negociações com a China

  • 30/06/2026
(Foto: Reprodução)
Agora no g1 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (30), durante a 68ª cúpula do Mercosul, em Assunção, que o bloco pretende iniciar em breve negociações comerciais com a China, enquanto amplia sua agenda de acordos com outros parceiros. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo Lula, o Mercosul mantém negociações com Canadá, Índia e Vietnã, iniciou tratativas para uma parceria econômica com o Japão e pretende fazer o mesmo com a China. “O Mercosul está avançando nos diálogos com Canadá, Índia e Vietnã. Nesta cúpula, daremos mais um passo ao lançar as negociações de uma parceria econômica com o Japão. Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta”, disse. 🔎O Mercosul é um bloco econômico regional sul-americano criado em 1991, atualmente integrado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com o objetivo de promover a integração econômica e aduaneira, e a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os países membros. Em outro momento do discurso, o presidente brasileiro também criticou o que chamou de "alinhamento automático" e "escolhas excludentes" na política externa. "Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes", afirmou. A reunião também foi marcada por críticas do presidente do Paraguai, Santiago Peña, às "assimetrias" na implementação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. "Para que negociamos com a Europa se o acesso a novos mercados não há de servir para desenvolver o que o que ainda não está desenvolvido?", afirmou Peña. A declaração faz referência à divisão, entre os países do Mercosul, das cotas de exportação com tarifas reduzidas para a venda de produtos ao mercado europeu. Ao abrir a cúpula, Peña afirmou que os países do bloco enfrentam condições desiguais para aproveitar os benefícios do acordo. "O campo não está nivelado para todos por igual, não temos o mesmo mercado, nem as mesmas indústrias, nem a mesma logística", disse. O presidente paraguaio defendeu que a distribuição das cotas seja revista e cobrou "resultados concretos" para corrigir as "assimetrias". Segundo ele, o Paraguai ficou com um "gosto amargo" da implementação inicial do acordo. "Se o Mercosul quer ser confiável para fora, primeiro deve ser justo para dentro", afirmou Peña. "O Paraguai mantém sua posição sobre a distribuição das cotas. Isto não é um capricho, isto é justiça", acrescentou. Solidariedade à Venezuela Os chefes de Estado também manifestaram solidariedade à Venezuela após os terremotos da última semana. A pedido de Lula, os participantes fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas. "Quero começar a minha fala dedicando minha solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela diante das perdas humanas e materiais incalculáveis causadas pelos terremotos da semana passada", disse o presidente brasileiro. "Tragédias como essa convidam a uma reflexão sobre a importância da solidariedade e da cooperação regionais", acrescentou. O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, informou que as autoridades de gestão de risco dos países do Mercosul iniciaram a coordenação de ações conjuntas para ajudar a Venezuela, sem detalhar as medidas. Apoio ao governo da Bolívia Durante a reunião, os países do Mercosul também reafirmaram apoio ao governo do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, após semanas de bloqueios rodoviários e da crise política enfrentada pelo país. Peña manifestou "firme repúdio a toda tentativa de desestabilizar a república irmã da Bolívia" e declarou apoio ao governo de Paz, eleito "em eleições livres e justas". Orsi também expressou solidariedade ao governo e ao povo bolivianos diante da situação enfrentada pelo país. Paz agradeceu o apoio dos demais integrantes do bloco, lamentou os terremotos na Venezuela e afirmou que a Bolívia atravessa "momentos complexos", com "ameaças à ordem institucional". Santiago Peña e Lula em encontro do Mercosul Reuters *Com informações da Agência Brasil, France Presse e Reuters

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/06/30/mercosul-critica-assimetrias-com-ue-e-prepara-negociacoes-comerciais-com-a-china.ghtml


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