Da ameaça de destruir a civilização no Irã ao cessar-fogo: as 10 horas em que Trump pôs o mundo em suspense

  • 07/04/2026
(Foto: Reprodução)
Mediação de cessar-fogo entre Irã e Israel teve Paquistão como elemento chave O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira (7) que adiou por duas semanas o ultimato contra o Irã e disse ter condicionado a medida à abertura completa do Estreito de Ormuz. Teerã confirmou o acordo que permitirá a reabertura do canal por um período inicial de duas semanas. Trump havia dado até às 21h desta terça-feira para que o Irã chegasse a um acordo com os Estados Unidos e reabrisse a rota, por onde passa grande parte do petróleo mundial. No início do dia, ele afirmou que uma "civilização inteira" iria morrer com os ataques previstos para esta terça. Essa foi a mais grave ameaça desde o início da guerra e deixou o mundo em tensão nas 10 horas que seguiram o anúncio. Desde os primeiros dias de conflito, o presidente dos EUA vem declarando a vitória de seu governo sobre o regime iraniano, mas o Irã segue fazendo ataques em retaliação e afirma que não irá se render. Algumas horas antes da ameaça de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que milhões de iranianos estão "prontos para se sacrificar" pelo país. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian IRIB/via Reuters TV/Divulgação via REUTERS "Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã", afirmou Pezeshkian em publicação no X. Confira a cronologia de terça-feira, um dos dias mais tensos desde o início da guerra: ➡️ A ameaça de Trump 9h06 - Trump publica ameaça na rede social Truth Social. Na manhã da terça-feira, por volta das 9h, Trump fez a mais grave ameaça desde o início da guerra entre EUA-Israel e Irã. "Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada", escreveu o presidente em uma publicação no Truth Social. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O presidente dos EUA deu prazo até as 21h (horário de Brasília) da terça-feira para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, fechada por Teerã em resposta a ataques dos EUA e de Israel. "Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!", afirmou. Trump sobre Irã: 'Uma civilização inteira morrerá esta noite' ➡️ Irã reage e afirma que ameaça pode causar genocídio Amir-Saeid Iravani, representante de Teerã na ONU, afirmou que as ameaças de Trump "constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio". Durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, Iravani instou a comunidade internacional a denunciar a retórica de Trump antes que seja tarde demais. "O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais", disse ele. Embaixador do Irã, Amir Saeid Iravani, durante reunião do Conselho de Segurança da ONU, neste domingo (22). Eduardo Munoz/Reuters ➡️ EUA fazem novos bombardeios contra ilha de Kharg A Ilha de Kharg, responsável por 90% do petróleo exportado pelo Irã, foi bombardeada novamente pelos Estados Unidos. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, confirmou o ataque, denunciado pelo Irã e reportado por agências de notícias e a imprensa norte-americana. ➡️ Políticos dos EUA, ONU e Papa reagem a ameaça de Trump A fala de Trump gerou uma onde de reações por parte de poíticos Democratas e Republicanos, a secretaria-geral da ONU e até o Papa Leão XIV. Secretário-geral da ONU está 'muito preocupado' O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou sua preocupação com a ameaça do presidente Donald Trump. “O secretário-geral está muito preocupado com as declarações que ouvimos ontem e novamente esta manhã, declarações que sugerem que todo um povo ou toda uma civilização poderiam ser obrigados a suportar as consequências de decisões políticas e militares”, afirmou o porta-voz Stéphane Dujarric. António Guterres, secretário-geral da ONU Jornal Nacional/ Reprodução Aliados políticos de Trump se colocam contra escala de ataques O senador Ron Johnson, do partido republicano (o mesmo que Trump), afirmou que não apoia um possível bombardeio americano contra infraestrutura civil iraniana. “Acho que seria um grande erro”, disse. O influente podcaster de direita Tucker Carlson também criticou a possibilidade de escalada militar, afirmando que autoridades americanas deveriam resistir a qualquer tentativa de ataques em massa que possam matar civis iranianos. Democratas rechaçam ameaça O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, do partido democrata, chamou Trump de “uma pessoa extremamente doente” após o presidente afirmar que “uma civilização inteira morrerá”. Na Câmara, a liderança democrata pediu o retorno imediato dos parlamentares a Washington para votar o fim da guerra com o Irã. Além disso, a ex-vice-presidente dos EUA Kamala Harris chamou as ameaças de Donald Trump contra o Irã de "abomináveis" em um post na rede social X. A democrata, que perdeu as últimas eleições para Trump, afirmou: "O presidente dos Estados Unidos está ameaçando cometer crimes de guerra e exterminar uma "civilização inteira" — tudo porque ele mesmo iniciou uma guerra desastrosa e não tinha plano nem estratégia para terminá-la. Isso é abominável, e o povo americano não apoia isso. A imprudência de Trump está colocando desnecessariamente nossos bravos militares em perigo, destruindo a posição dos Estados Unidos no cenário internacional e tornando a vida ainda mais cara para o povo americano. Devemos todos nos opor a isso e nos opor ao financiamento dessa guerra ilegal por escolha própria", escreveu. Papa diz que ameaça é 'inaceitável O Papa Leão XIV chamou de “inaceitáveis” as ameaças contra todo o povo do Irã durante uma coletiva de imprensa. Leão fez um apelo e pediu que cidadãos de todo o mundo entrem em contato com representantes políticos e cobrem o fim da guerra. Ele disse ainda que todos precisam pensar nas vítimas do conflito, incluindo crianças. Papa Leão XIV chama ameaça de Donald Trump de inaceitável e faz apelo por paz Jornal Nacional/ Reprodução Em referência às ameaças de Trump de bombardear pontes e usinas de energia, o papa afirmou que ataques à infraestrutura civil são violações do direito internacional. "A ameaça contra o povo do Irã é inaceitável. Há questões de direito internacional, mas muito mais do que isso, é uma questão moral", afirmou. ➡️ Regime iraniano convoca população Alireza Rahimi, identificado pela televisão estatal iraniana como secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, fez a convocação para "todos os jovens, atletas, artistas, estudantes e universitários e seus professores". "As usinas de energia são nossos ativos e capital nacional". 11h - população do Irã faz cordão humano Iranianos atenderam à convocação do regime e foram até a usina termoelétrica de Kazeroon, na província de Fars, no sudoeste do Irã, para formar uma corrente humana em torno do local. Em vídeo divulgado pela agência de notícias iraniana Fars, centenas de pessoas aparecem na porta da instalação, segurando bandeiras e cartazes para demonstrar seu apoio ao governo. Iranianos formam corrente humana em torno de usina termoelétrica ➡️ População do Irã vai às ruas Faltando poucas horas para às 21h, a população do Irã foi às ruas de Teerã, a capital do país, em apoio ao governo. Imagens divulgadas pelas agências de notícia iranianas no Telegram (veja abaixo) mostram centenas de pessoas na porta da usina termoelétrica de Kazeroon, na província de Fars, no sudoeste do país, segurando bandeiras e cartazes para demonstrar seu apoio ao governo. População do Irã vai às ruas da capital para dar apoio ao regime em meio a ameaças de Trump ➡️ TV israelense faz contagem regressiva Em Israel, o canal Channel 13 fez uma contagem regressiva ao vivo até o fim do ultimato. TV israelense faz contagem regressiva para ataque de Trump Reprodução ➡️ Paquistão pede a Trump que adie ultimato O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador nas negociações da guerra entre EUA, Israel e Irã, pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, que adie o prazo dado a Teerã em duas semanas. O primeiro-ministro do Paquistão também solicitou ao Irã a reabertura do Estreito de Ormuz pelo mesmo período, como gesto de boa vontade e pediu que todas as partes em conflito adotem um cessar-fogo de duas semanas para permitir o avanço da diplomacia. Primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e chefe do Exército paquistanês, Asim Munir Governo do Paquistão ➡️ Nova onda de ataques do Irã Países do Oriente Médio relatam uma série de ataques provenientes do Irã. Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos disseram ter sido alvos de mísseis e drones de Teerã poucas horas antes do fim do prazo dado por Trump para Teerã fechar um acordo favorável a Washington. Míssil iraniano cruza o espaço aéreo israelense em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, visto de Ashkelon, Israel, em 7 de abril de 2026 Amir Cohen/Reuters ➡️ Embaixadas brasileiras no Oriente Médio emitem alertas Diversas embaixadas brasileiras nos países do Oriente Médio emitiram alertas para os brasileiros da região em meio a possível escalada do conflito entre Donald Trump e Irã. As embaixadas de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos; Doha, no Catar; Kuwait; e no Bahrein enviaram alertas. ➡️ Agência americanas alertam para hackers iranianos Agências de segurança dos Estados Unidos alertaram que hackers apoiados pelo Irã estão explorando falhas em sistemas para atacar a infraestrutura do país, incluindo serviços de água, esgoto, energia e órgãos de governos locais. O alerta foi emitido pelo FBI, pela Agência de Segurança Nacional (NSA), pela Agência de Defesa Cibernética (CISA), pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), pelo Comando Cibernético dos EUA e pelo Departamento de Energia. ➡️ Trump adia ultimato contra o Irã por 2 semanas 19h32 - Trump recua Em um post no Truth Social, Trump disse que resolveu adiar os ataques após um pedido de autoridades do Paquistão, que estão mediando conversas indiretas entre os Estados Unidos e o Irã. "Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!", afirmou. O presidente norte-americano alegou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas. Donald Trump anuncia cessar-fogo com o Irã faltando 1h30 para ultimato ➡️ Irã concorda com acordo de cessar-fogo Após anúncio de cessar fogo de Trumpo, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que um acordo foi alcançado com mediação de autoridades do Paquistão. Ele afirmou que Teerã vai suspender ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos. Araghchi disse ainda que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura durante a trégua, com algumas condições. O ministro iraniano também declarou que os Estados Unidos pediram negociações com base em uma proposta de 15 pontos e aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo. VEJA TAMBÉM: De aiatolá morto a ataque suspenso: guerra abala Oriente Médio e pressiona economia global; veja linha do tempo Guerra completa 40 dias A guerra no Irã completou 40 dias nesta quarta-feira (8) após o momento mais crítico do conflito até então. O dia começou com ameaças e terminou com um acordo de cessar-fogo mediado pelo Paquistão. Inicialmente, a trégua envolvia o Líbano, que vem sendo alvo de ataques israelenses, porém, o Primeiro-ministro Netanyahu afirmou que o país não faz parte do acordo. Noventa minutos antes do fim do prazo, Trump disse em uma rede social que havia concordado em adiar os ataques por duas semanas. Segundo ele, a decisão foi condicionada à reabertura do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã após o início da guerra. Cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo passam pela rota marítima. O fechamento do Estreito de Ormuz pressionou os preços do petróleo e gerou impactos econômicos em vários países, incluindo os Estados Unidos. Além da reabertura da via, os EUA já haviam listado outras condições para encerrar a guerra, como o compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares. Entre os pontos estão: limitação do alcance e da quantidade de mísseis iranianos; desativação de usinas de enriquecimento de urânio; fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah; criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz. A mídia estatal iraniana classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump” e afirmou que os EUA aceitaram os termos de Teerã. Agências oficiais disseram que o Irã resistiu e que os americanos não atingiram seus objetivos. Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o fim dos ataques e a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo ele, a passagem de navios será segura, com coordenação das forças iranianas e dentro de limitações técnicas. Araghchi disse ainda que as negociações entre os dois países terão como base um plano de 10 pontos elaborado pelo Irã. Segundo a agência de notícia Associated Press (AP), o plano de 10 potnos do Irã divulgado em inglês não incluia uma frase importante, divulgada apenas na versão farsi. O tópico inclui "aceitação do enriquecimento" para o programa nuclear do país.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/07/da-ameaca-de-destruir-a-civilizacao-no-ira-ao-cessar-fogo-as-10-horas-em-que-trump-pos-o-mundo-em-suspense.ghtml


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