Delcy Rodríguez diz que Venezuela está aberta a relações energéticas que beneficiem todas as partes
07/01/2026
(Foto: Reprodução) A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, fala no Congresso Nacional, em Caracas, no dia 4 de dezembro de 2025
Pedro Mattey/AFP
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira (7) que o país está aberto a relações energéticas em que todas as partes se beneficiem. A declaração ocorre após a Casa Branca dizer que estava trabalhando em um acordo de petróleo com o país sul-americano.
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Mais cedo nesta quarta (7), o presidente Donald Trump afirmou que a Venezuela concordou em usar a receita obtida com a venda de petróleo para comprar exclusivamente produtos fabricados nos Estados Unidos.
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia do país sul-americano.
"Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os EUA como seu principal parceiro — uma escolha sensata e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos", acrescentou Trump.
Trump diz que venezuelanos usarão dinheiro do petróleo para comprar somente produtos americanos
Mais cedo, o Departamento de Energia americano informou que os EUA já começaram a comercializar petróleo venezuelano. De acordo com o órgão, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
"Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados" , informou o departamento.
O órgão declarou ainda que os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para "garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos", que serão feitos "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA".
Nesta quarta-feira, a petroleira estatal venezuelana PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA para a venda de petróleo. Segundo a empresa, as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
As vendas, de acordo com o Departamento de Energia, começam "imediatamente", e continuarão por tempo indeterminado.
Na noite de terça-feira, Donald Trump afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano
Ele também disse ter fechado um acordo com Caracas para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA — movimento que desviaria fornecimentos da China e ajudaria a Venezuela a evitar cortes mais profundos na produção.
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Petróleo a preço de mercado
A declaração do republicano ocorreu apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou. O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Na terça-feira (6), a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos EUA já estavam discutindo a exportação de petróleo bruto para os americanos.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Nesta quarta-feira, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico. A apreensão é parte da estratégia de Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e forçar o governo socialista da Venezuela a tornar-se um aliado.
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira que o governo americano pretende fazer uma reunião com executivos do setor petrolífero ainda nesta semana para tratar sobre o tema.