Escassez de comida e queda de energia: caos em Ceuta faz Espanha triplicar vagas para imigrantes
17/08/2026
(Foto: Reprodução) Cidadão marroquinho aguarda em abrigo improvisado em praia de Ceuta, na Espanha, em 14 de agosto de 2026.
Maria Alejandra Cardona/ Reuters
Diante da crise migratória aberta em Ceuta, o exclave espanhol no norte da África, o governo da Espanha anunciou nesta segunda-feira (17) que vai triplicar o número de vagas para imigrantes na cidade.
Autoridades abrirão mais 1.500 vagas em abrigos temporários habilitados em edifícios do governo local para receber parte dos imigrantes que permanecem em Ceuta — atualmente, o exclave conta apenas com um centro de imigrantes com capacidade para pouco mais de 500 pessoas.
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O anúncio é uma tentativa do governo espanhol de contornar a crise na cidade após cerca de 70 mil pessoas entrarem em Ceuta ao mesmo tempo, no fim de julho. A grande maioria delas aceitou regressar ao Marrocos, mas cerca de 5 mil permaneceram no exclave espanhol, segundo o governo local.
"Vamos habilitar, de forma imediata, 1.500 novos lugares", anunciou a ministra espanhola de Inclusão e Migrações', Elma Saiz. De acordo com Saiz, as vagas — distribuídas em camas em quartos compartilhados — funcionarão no estacionamento de um quartel militar, em uma fábrica desativada e em uma hípica local.
A grande maioria dos cerca de 5 mil imigrantes restantes vêm dormindo em tendas improvisadas ou ao relento em uma praia da cidade, que tem cerca de 82 mil habitantes. Moradores vêm reclamando do excesso de pessoas e alegal falta de suprimentos básicos, além de queda de energia.
A cidade tem atualmente um Centro de Estadia Temporária de Imigrantes (Ceti), instalações do governo destinadas a abrigar pessoas que entram no país ilegalmente, enquanto a situação de cada um é analisada. Mas o Ceti só tem cerca de 500 leitos, embora constantemente abrigue mais pessoas que sua capacidade permite.
Os imigrantes que permaneceram em esperam que o governo espanhol autorize o pedido de asilo que fizeram para poder permanecer na Europa. No domingo (16), um grupo protestou em Ceuta pedindo que o governo conceda o asilo a eles. Outros, em manifestação, iniciaram greve de fome.
👉 No entanto, o visto de asilo só é concedido em casos de cidadãos vindos de países em guerra ou de pessoas fugindo de conflitos ou perseguições específicas. Como a maioria dos imigrantes tem nacionalidade marroquina, o mais provável é que o grupo seja deportado de volta ao Marrocos.
Segundo a rede de TV pública espanhola TV, organizações de ajuda humanitária estimam que só cerca de 30% deles deva conseguir o asilo.
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Imigrantes marroquinos protestam em Ceuta em busca de asilo na Espanha no domingo (16)
Maria Alejandra Cardona/Reuters