Estudantes do Irã iniciam nova onda de protestos contra o governo Khamenei
23/02/2026
(Foto: Reprodução) Estudantes iranianos contra e a favor do governo Khamenei entram em confronto na Universidade de Tecnologia Amirkabir, em Teerã, em 22 de fevereiro de 2026.
UGC/AFP
Estudantes iranianos iniciaram uma nova onda de protestos contra o regime Khamenei, com manifestações em diversas universidades no Irã durante o final de semana.
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Os protestos iniciaram no sábado e ocorreram também no domingo, e levaram a confrontos em várias universidades iranianas, segundo agências de notícias iranianas e publicações nas redes sociais. Ainda não se sabe, até a última atualização desta reportagem, se há mortos, feridos ou presos decorrentes dessas manifestações.
A nova onda de protestos ocorre pouco mais de um mês após o regime do aiatolá Ali Khamenei matar milhares de manifestantes para reprimir amplas manifestações que eclodiram nas ruas de todo o país. Ao menos 6.100 pessoas foram mortas pelas forças de segurança, segundo ONGs, porém estima-se que o número possa ser ainda maior.
Desta vez, os novos protestos ocorrem sob a vigia dos navios de guerra dos EUA, que estão no Oriente Médio com o território iraniano em seu alcance. O presidente dos EUA, Donald Trump, forçou negociações nucleares com o Irã e ameaça atacar o país caso as tratativas diplomáticas fracassem.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Em Teerã, estudantes contra e a favor do regime Khamenei entraram em confronto na Universidade de Tecnologia Amirkabir no domingo, segundo vídeos que circulam nas redes sociais verificados pela agência de notícias AFP.
A TV estatal iraniana transmitiu vídeos do que disse ser indivíduos “que fingiam ser estudantes” atacando estudantes a favor do governo em Teerã. Segundo o regime Khamenei, estudantes pró-governo teriam sido feridos por pedras atiradas por manifestantes contrários.
Protestos também ocorreram em universidades em Mashhad, no nordeste, de acordo com vídeos publicados pelo grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos Estados Unidos, que afirmou que a intervenção das forças de segurança nos protestos causou ferimentos.
No sábado, um vídeo supostamente mostrava fileiras de manifestantes na Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, chamando o líder supremo aiatolá Ali Khamenei de um “líder assassino” e pedindo que Reza Pahlavi, filho exilado do xá derrubado do Irã, seja o novo monarca.
Os recentes protestos, que começaram em dezembro devido às dificuldades econômicas e rapidamente se tornaram políticos, foram reprimidos na mais violenta repressão desde a Revolução Islâmica de 1979.
Estudantes iranianos da Universidade de Tecnologia Amirkabir, em Teerã, fazem protesto contra o governo Khamenei em 22 de fevereiro de 2026.
UGC/AFP
Tensões EUA x Irã
Estados Unidos e Irã vivem uma escalada de tensões em meio a negociações para limitar o programa nuclear iraniano. Na última quinta-feira (19), o presidente Donald Trump voltou a ameaçar um ataque e afirmou que “coisas muito ruins” vão acontecer com o Irã se um acordo não for concluído. Na sexta (20), ele confirmou que está considerando atacar o país.
▶️ Contexto: A crise ganhou força em janeiro, quando Trump ameaçou atacar o Irã após a repressão a manifestantes que protestavam contra o governo. Com o enfraquecimento dos atos, o presidente norte-americano passou a focar no programa nuclear iraniano.
Em resumo:
Os EUA querem que o Irã limite ou encerre o programa de enriquecimento de urânio.
O Irã afirma que a iniciativa tem fins pacíficos, mas a Casa Branca acusa o país de tentar desenvolver uma arma nuclear.
Segundo a imprensa americana, os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio do país a grupos armados no Oriente Médio.
O Irã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e afirma estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim de sanções.
Duas rodadas de conversas ocorreram nas últimas semanas: uma em Omã, no início do mês, e outra em Genebra, na terça-feira (17). Os EUA afirmam que houve pequenos avanços.
👉 Veja no infográfico a seguir onde ficam as embarcações e em quais locais há soldados norte-americanos.
VALE ESTE - infográfico mostra cerco militar dos EUA ao Irã
Editoria de Arte/g1