EUA consolidam campanha militar na América Latina com operações por terra em parceria com aliados

  • 17/08/2026
(Foto: Reprodução)
Secretário de Guerra dos EUA ameaça fazer ataques por terra na América Latina Desde o ano passado, os Estados Unidos vinham investindo em uma campanha de bombardeios a embarcações em costas da América Latina acusados ​​de transportar drogas. Dezenas de barcos foram alvejados, e centenas de pessoas morreram. Agora, o governo de Donald Trump começou a buscar formas de estender essa campanha para operações por terra na América Latina. A tática, para isso, é a de negociar acordos com aliados que colocariam forças norte-americanas em toda a região. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O secretário de Defesa do presidente Donald Trump, Pete Hegseth, anunciou na semana passada, durante uma visita ao Panamá, que Colômbia, Guatemala e Honduras concordaram em permitir que os EUA realizem operações militares conjuntas contra grupos criminosos em seus territórios, seguindo o Equador, que lançou missões semelhantes com os EUA em março. "(Será) como vocês viram com os ataques aos barcos de narcotráfico”, disse Hegseth durante um exercício militar na selva panamenha na semana passada. "O mesmo efeito em terra. E é por isso que estamos trabalhando com o Equador. Estamos trabalhando com a Colômbia. Estamos trabalhando com parceiros para levar a luta às organizações terroristas em terra". ➡️ A expansão marca uma nova fase na campanha do governo Trump para pressionar governos em toda a América Latina a se alinharem com suas prioridades de segurança e afirmar o que chama de “domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental”. Eleitores latino-americanos vêm apoiando líderes alinhados a Trump, dando a Washington mais parceiros dispostos a parcerias militares. Mas críticos alertam que a expansão da campanha militar dos EUA acarreta riscos de baixas civis. “O que está acontecendo é uma tentativa de legitimar o aumento do uso das Forças Armadas dos EUA na região”, disse à agências de notícias Associated Press Michael Shifter, especialista em América Latina do think tank Diálogo Interamericano. “Isso projeta poder, demonstra superioridade militar e permite que Washington imponha sua agenda. Isso não é cooperação, é obviamente uma relação muito assimétrica". O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa ao lado do secretário de Defesa, Pete Hegseth, durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci 👉 Os militares dos EUA operam na América Latina há gerações, fornecendo armas, inteligência e treinamento a aliados para combater o narcotráfico, ao mesmo tempo que deixaram um legado problemático de apoio a golpes militares e ditaduras. Mas desde que Donald Trump retornou ao cargo em janeiro de 2025, Washington tem adotado sua abordagem mais intervencionista na região em décadas. O governo Trump designou 20 grupos criminosos latino-americanos como “organizações terroristas estrangeiras”, enviou forças americanas à Venezuela para capturar seu presidente e envolveu agentes da CIA em operações de desmantelamento de laboratórios de drogas no México. Matou mais de 200 pessoas em mais de 60 ataques com barcos no Caribe e no Pacífico Leste, oferecendo poucas evidências de que os alvos eram “narcoterroristas” e levantando questionamentos sobre a legalidade dos ataques. EUA bombardeiam embarcação no Caribe, em março de 2026. 'Novas e diferentes' Mas operações de combate sustentadas dos EUA ao lado de forças locais seriam “novas e diferentes”, disse à Associated Press William LeoGrande, especialista em América Latina da American University. Hegseth forneceu poucos detalhes sobre como seriam as operações conjuntas com a Colômbia, Guatemala e Honduras. Mas na Colômbia, onde Abelardo de la Espriella, apoiado por Trump, assumiu o cargo este mês, o secretário norte-americano levantou a possibilidade de as forças americanas se juntarem a ataques contra grupos armados, incluindo o Exército de Libertação Nacional (ELN), o último grande grupo guerrilheiro da Colômbia. Hegseth disse que Espriella havia solicitado maior envolvimento militar dos EUA. “Em qualquer lugar onde você trafica drogas ou ameaça o povo americano ou nossos parceiros, você é um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al-Qaeda”, disse Hegseth, equiparando os traficantes de drogas a grupos extremistas islâmicos que dominaram as prioridades de segurança nacional dos EUA por décadas. No sábado, após um ataque com drones do ELN contra tropas, de la Espriella prometeu que os rebeldes “pagariam um preço alto”. Preocupações O Equador emergiu como o caso mais claro de envolvimento militar direto dos EUA, lançando operações conjuntas com Washington, apesar de os eleitores terem rejeitado esmagadoramente bases militares estrangeiras em um referendo em novembro de 2025. Uma investigação do jornal norte-americano "The New York Times" descobriu que um ataque a um suposto laboratório de drogas em março, na verdade, destruiu uma fazenda de gado. A pressão para estender tais acordos ganhou mais força entre os aliados ideológicos de Trump na região — líderes conservadores eleitos com promessas de repressão agressiva ao crime nos últimos meses. A Guatemala se destaca como uma exceção. Seu governo progressista tem trabalhado em estreita colaboração com Washington em questões de segurança, apesar das diferenças políticas. Mas o presidente do país, Bernardo Arévalo, negou ter concordado com operações conjuntas antidrogas, dizendo que elas seriam ilegais sem a aprovação do Congresso. Agora no g1

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/08/17/eua-expandem-campanha-militar-por-terra-na-america-latina.ghtml


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