EUA declaram PCC e CV terroristas: Fórum de Segurança lamenta que tema tenha sido 'capturado pela disputa eleitoral'

  • 28/05/2026
(Foto: Reprodução)
PCC é mapeado em 28 países e expande tráfico de drogas e armas O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) lamentou nesta quinta-feira (28) o uso político da decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O anúncio dos EUA foi feito um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo o parlamentar, Rubio se mostrou favorável à classificação das facções brasileiras como organizações terroristas. Em nota, o Fórum afirmou que a medida é uma decisão soberana do governo norte-americano e diz respeito à forma como os EUA pretendem lidar, dentro de seus próprios parâmetros jurídicos e legais, com os impactos transnacionais das organizações criminosas. Apesar disso, lamentou que um tema com “implicações profundas” para a soberania e autonomia do Brasil, além de possíveis efeitos sobre a economia, o sistema financeiro e mecanismos de cooperação regional e internacional, tenha sido “capturado pela disputa eleitoral”. Segundo o Fórum, a medida vem sendo incentivada como solução para um problema “bem mais complexo”, sem considerar os riscos de iniciativas unilaterais de outros países para uma economia do porte da brasileira. A entidade destacou ainda que Brasil e Estados Unidos mantêm uma longa tradição de cooperação policial, especialmente na troca de informações de inteligência e no combate à lavagem de dinheiro, e afirmou que este trabalho coordenado deve continuar. O Fórum também criticou o apoio de políticos brasileiros à classificação das facções como organizações terroristas. Para a entidade, esse posicionamento revela “visões reducionistas” sobre o enfrentamento ao crime organizado e ignora desafios considerados centrais pelo poder público, como a retomada de territórios dominados por facções e a regulação de setores usados por grupos criminosos, entre eles fintechs, apostas esportivas e criptoativos. Por que o PCC não é considerado terrorista no Brasil O PCC, maior facção criminosa do Brasil, com cerca de 40 mil integrantes, 2 mil no exterior, não é considerada um grupo terrorista — nem no Brasil, nem em outros países onde atua, como Paraguai, Portugal e Itália. O que define um grupo terrorista? A Lei Antiterrorismo brasileira (Lei 13.260/2016) define terrorismo como a prática de atos violentos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, motivados por razões de xenofobia, religião, ideologia política ou preconceito. Ou seja, a motivação é o que diferencia um grupo terrorista de uma facção criminosa. Terroristas costumam buscar fins ideológicos ou políticos, enquanto facções como o PCC visam o lucro, especialmente por meio do tráfico de drogas, armas e crimes financeiros. Como o PCC é tratado legalmente no Brasil? O PCC é considerado uma organização criminosa nos termos da Lei 12.850/2013, que trata especificamente de grupos com estrutura hierárquica voltada à prática de crimes. Essa lei permite ações como interceptações telefônicas, delações premiadas e acordos de cooperação internacional — muitas vezes usadas para combater a facção. E no exterior? Alguns países, como os Estados Unidos, mantêm uma lista própria de organizações terroristas internacionais, mas até o momento o PCC não integra essa relação. No entanto, relatórios de inteligência internacionais já classificam a facção como uma ameaça transnacional e recomendam monitoramento constante. LEIA TAMBÉM: PCC tem mais de 2 mil integrantes espalhados pelo mundo, a maioria em presídios; veja países O que o governo federal pensa? Em maio, o governo brasileiro disse ao chefe interino de coordenação do Departamento de Sanções dos Estados Unidos, David Gamble, que o PCC e o Comando Vermelho não são classificados como terroristas. Segundo o secretário nacional da Segurança Pública, Mario Sarrubbo, as facções não se encaixam na definição de terrorismo, nos termos da Constituição Brasileira. “O conceito de terrorismo é diverso, na medida em que estas organizações criminosas não têm qualquer viés ideológico, não têm qualquer viés político, religioso, não querem mudar o sistema, muito pelo contrário, que elas pretendem a prática de infrações penais, lavagem de dinheiro. O Brasil hoje padece, como de fato vários países do mundo padecem, com esse problema das organizações criminosas”, afirmou o secretário. Assim, de acordo com o direito brasileiro, não seria adequado classificar essas organizações como organizações terroristas. Por que a designação importa? A classificação como grupo terrorista pode ativar leis específicas, penas mais severas, bloqueio de recursos financeiros e cooperação internacional mais rápida. No entanto, especialistas alertam que usar essa designação sem critérios claros pode ser problemático, com risco de banalização do conceito e abuso contra determinados grupos sociais. Presos fazem rebelião na Penitenciária de Junqueirópolis, em São Paulo, em 14 de maio de 2006. O motim começou às 7 da manhã, quando familiares entravam para a visita. Os rebelados subiram no telhado e prenderam faixas na caixa d´água com os dizeres: 'PCC, paz, justiça e liberdade' e 'Contra a Opressão' Alex Silva/Estadão Conteúdo/Arquivo Veja como estão distribuídos integrantes do PCC pelo mundo Arte/g1 Design

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/28/eua-declaram-pcc-e-cv-terroristas-forum-de-seguranca-lamenta-que-tema-tenha-sido-capturado-pela-disputa-eleitoral.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Lembrar De Nós Assim

Banda Raneychas

top2
2. DOIDO DOIDO

Guilherme Silva

top3
3. SÓ LIGUEI PRA DIZER QUE TE AMO

ALINE SILVA

top4
4. Por Tua Causa

Rasta Chinela

top5
5. Ô Garçom

Klessinha

Anunciantes