FOTOS: Irã arma população e faz treinamentos nas ruas em meio à possibilidade de escalada guerra contra os EUA
20/05/2026
(Foto: Reprodução) Criança manipula fuzil durante evento montado pela Guarda Revolucionária do Irã para ensinar populaço a manipular armas, em maio de 2026.
Vahid Salemi/AP
Em meio à guerra contra os Estados Unidos e temores de uma escalada no conflito, integrantes da Guarda Revolucionária do Irã passaram a mostrar à população da capital do país como manusear fuzis Kalashnikov.
Armas passaram a ser exibidas com frequência em Teerã, e treinamentos vêm sendo realizados nas ruas.
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➡️ Na terça-feira (19), o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou retomar os ataques ao território iraniano caso as negociações fracassem e o Irã mantenha o controle do Estreito de Ormuz.
Em um treinamento realizado na terça-feira na capital, homens e mulheres foram separados em turmas diferentes. Hadi Khoosheh, integrante da milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, ensinou como manusear um fuzil (veja na imagem abaixo).
Um integrante da milícia voluntária Basij, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, demonstra como manusear um fuzil no estilo Kalashnikov durante um treinamento com armas em Teerã.
Vahid Salemi/AP
“Ao final do curso, os participantes receberão um cartão chamado ‘Janfada’, comprovando que receberam treinamento básico e podem usar essa arma se algo acontecer ao nosso país”, disse Khoosheh.
“Com certeza vamos enfrentar os americanos e não cederemos nem um centímetro do nosso território”, afirmou Ali Mofidi, morador de Teerã de 47 anos, durante um treinamento militar na terça-feira. “Não importa se vierem pelo mar ou pela terra. Vamos defender nossa bandeira.”
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As demonstrações refletem a ameaça enfrentada pelo Irã. Trump sugeriu que forças norte-americanas poderiam tomar à força o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido. Ele também já afirmou que enviou armas a combatentes curdos para repassá-las a manifestantes antigoverno.
Ao mesmo tempo, as exibições servem para reforçar o discurso da ala mais radical do regime e entreter a população em um momento de crise econômica. O país enfrenta demissões em massa, fechamento de empresas e aumento no preço de alimentos, remédios e outros produtos.
A possibilidade de mais civis armados também pode ajudar o governo a conter novos protestos contra a teocracia iraniana. Em janeiro, manifestações nacionais foram reprimidas com violência. Segundo ativistas, mais de 7 mil pessoas morreram e dezenas de milhares foram presas.
“É necessário que toda a população receba treinamento porque estamos em uma situação de guerra”, afirma Mofidi. “Se necessário, todos devem estar preparados e saber usar uma arma.”
Mas a maior parte das demonstrações recentes ocorre em Teerã, e não em áreas rurais, onde tradicionalmente famílias mantêm rifles e espingardas em casa.