Gasto milionário, roteiro chapa-branca, salas quase vazias: a estreia do filme de Melania Trump em SP

  • 31/01/2026
(Foto: Reprodução)
Montagem com o cartaz do filme sobre Melania Trump e o registro da sessão de estreia em um cinema na Pompeia, em SP, com apenas um espectador Reprodução e Vinícius Lemos/g1 Eram 12h30 de sexta-feira (30) quando o aposentado Fernando Passos, de 74 anos, se sentou em uma sala de cinema na Pompeia, em São Paulo, para assistir ao filme de Melania Trump, a primeira-dama americana. “Gosto muito dela, porque ela é estilosa. Gosto daquele chapéu dela cobrindo os olhos nas celebrações, como nas posses. Acho que ela, como tudo em política, além de interessante, é meio hilária”, disse Passos. Ele era a única pessoa presente naquela sala em um shopping. O horário ruim em um dia de semana, segundo ele, foi um dos principais motivos para a baixa procura pelo documentário “Melania”, lançado nesta sexta-feira (30) em todo o mundo. “Quem vem ao cinema nesse horário em dia de semana, além de aposentados como eu?”, questiona. Passos se declara apoiador do presidente americano Donald Trump. “Ele é um negociador, é um ‘businessman’, ele tem feito sempre coisas muito positivas”, avalia. O aposentado diz que por muitas décadas pertenceu à esquerda para defender pautas minoritárias, mas argumenta que ficou decepcionado com as primeiras gestões do presidente Lula (PT) e hoje se define como conservador. “Hoje em dia tenho uma outra visão sobre política. A esquerda tem muitas falácias em suas promessas, teve muita corrupção no governo Lula e, por isso, mudei a minha visão”, comenta Passos. Ao final do documentário, ele disse ter ficado encantado com a postura de Melania. “Foi um filmaço”, resumiu. Aposentado Fernando Passos foi o único espectador na estreia de “Melania” em um cinema da Pompeia, em São Paulo Vinícius Lemos/g1 “Melania” acompanha a trajetória da primeira-dama americana nos 20 dias que antecederam a posse de Donald Trump em 2025, durante o seu retorno à presidência. A obra tem sido alvo de polêmica e críticas por ser completamente chapa-branca: não há nada que desagrade a primeira-dama. Ela exerceu completo controle editorial sobre o conteúdo, o que fez com que críticos questionassem a integridade artística e o valor jornalístico da produção. Além disso, a produção recebeu investimento de US$ 75 milhões da Amazon MGM Studios, muito superior a outras obras do gênero. Esse valor, segundo o jornal "New York Times", inclui cerca de US$ 40 milhões pelo licenciamento da obra e outros US$ 35 milhões em uma agressiva campanha de marketing. Analistas da indústria e críticos questionam os motivos por trás de um gasto tão elevado, sugerindo que a Amazon pode estar tentando angariar favores com o governo Trump. LEIA TAMBÉM: 'Melania': documentário que custou US$ 75 milhões à Amazon deve arrecadar US$ 5 milhões na estreia Salas quase vazias Além do shopping da Pompeia, o g1 acompanhou a estreia do filme em outras duas salas de cinemas em São Paulo. Todas disponibilizaram apenas um horário no período da tarde nesta sexta-feira. As amigas Suzan, de 68 anos, e Denise, de 62 (ambas não quiseram informar o sobrenome), reclamaram do horário das 14h20, o único disponível em um shopping do Morumbi. “Tivemos que almoçar correndo pra conseguir chegar a tempo”, criticou Suzan. Elas dizem que gostam de Melania e compraram ingresso para o filme porque queriam saber os bastidores da posse de 2025. Enquanto Denise é comedida sobre comentários políticos, Suzan logo se manifesta ao ser questionada sobre o presidente americano. “Eu apoio totalmente a gestão do Trump, porque ele está certíssimo”, disse. Na mesma sessão estava a aposentada Sônia Pansera, que contou ter ido ao cinema para relaxar e também por curiosidade sobre a vida de Melania. “No sábado eu vim assistir Hamnet e vi o trailer do filme da Melania, então decidi vir.” Pansera não se considera admiradora de Trump ou de Melania. “Não sou fã, nada muito especial”, diz. “Não sou totalmente a favor, nem totalmente contra o Trump. Acho que ele é impetuoso, fala muito e depois retrocede, age mais ponderadamente”, afirmou. Além delas, havia outras quatro pessoas na sala de cinema no Morumbi, sendo uma delas um crítico de cinema, que estava no local para analisar a produção. O terceiro local que a reportagem visitou foi no bairro Bela Vista, em São Paulo, em uma sessão às 16h. No lugar havia seis pessoas na sala, sendo uma delas um outro crítico de cinema. A baixa procura pelo filme não é algo exclusivo do Brasil. Ao redor do mundo, a produção também tem sofrido para atrair público. Em Londres, por exemplo, segundo o jornal The Guardian, foram vendidas poucas unidades de ingressos na estreia do filme. g1 acompanha estreia do filme de Melania Trump em SP Vinícius Lemos/g1 O g1 procurou a Amazon MGM, responsável por “Melania”, para saber detalhes sobre a distribuição do filme no Brasil, mas não obteve resposta até a conclusão deste texto. Nos cinemas de São Paulo, o filme recém-lançado continuará com uma única exibição diária, na imensa maioria no período da tarde, nos próximos dias. Mesmo no fim de semana, o documentário não parece atrair muita atenção. Em uma busca nas plataformas de ingressos na capital paulista, é possível ver salas de exibição sem nenhum assento ocupado ou com uma ou duas unidades de ingresso vendidas para sábado (31) e domingo (1). Veja os vídeos que estão em alta no g1

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2026/01/31/gasto-milionario-roteiro-chapa-branca-salas-quase-vazias-a-estreia-do-filme-de-melania-trump-em-sp.ghtml


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