Governo das Ilhas Canárias diz que não vai autorizar ancoragem de cruzeiro com casos de hantavírus; Espanha ordena desembarque

  • 09/05/2026
(Foto: Reprodução)
'Não posso permitir a entrada': o futuro incerto do navio com surto de hantavírus Reuters O governo das Ilhas Canárias, na Espanha, disse neste sábado (9) que não vai autorizar a ancoragem do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus. A decisão foi tomada poucas horas antes do horário previsto para operação. Já o governo espanhol determinou que as Ilhas Canárias recebam o navio, mesmo após a resistência do governo regional, por motivos de segurança marítima e necessidade de assistência sanitária a bordo. A resolução foi emitida pela Direção-Geral da Marinha Mercante, órgão espanhol que regula a navegação marítima. Segundo o jornal espanhol "ABC", o motivo para o navio não entrar no porto local e os passageiros desembarcarem se dá por conta de uma divergência sobre o número de horas que o cruzeiro ficará ancorado. AO VIVO: Siga as últimas atualizações sobre o navio com surto de hantavírus Ainda não está claro como a decisão que impede a ancoragem vai impactar o desembarque de passageiros, algo que poderia ser feito por barcos. Ainda de acordo com o jornal, o governo das Ilhas Canárias teria se irritado com a falta de respostas por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de autoridades do governo espanhol, como a ministra da Saúde, Mónica García. A Unidade Militar de Emergências da Espanha (UME), ligada ao Exército espanhol, será responsável por levar ao aeroporto de Tenerife-Sul os passageiros em quarentena do cruzeiro. Segundo a imprensa espanhola, os ministérios da Saúde e do Interior, que coordenam a operação, recorreram aos militares após a recusa de empresas locais em fazer o traslado. A operação prevê um esquema sanitário especial para o desembarque controlado dos passageiros, com apoio da Autoridade Portuária de Tenerife e, se necessário, do serviço espanhol de resgate marítimo. Tendo partido em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, o Hondius que pertence à operadora de cruzeiros holandesa Oceanwide Expeditions. O último balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou seis casos confirmados de hantavírus entre oito casos suspeitos, incluindo três pessoas que morreram devido a este vírus conhecido, porém raro, para o qual não existe vacina nem tratamento. A doença pode causar uma síndrome respiratória aguda. O hantavírus fica em roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer. A forma mais comum de um humano se infectar por hantavírus é pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. Países se preparam para retirar passageiros de cruzeiro com surto de hantavírus Em coletiva de imprensa feita na noite deste sábado, o presidente do governo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, explicou sua decisão. "Colaboração, sim. Solidariedade, também. Mas não a qualquer preço. Não sem relatórios, não com imposições do Estado e não colocando em perigo a segurança sanitária do povo das Ilhas Canárias", escreveu no X. "Não temos nenhum conhecimento técnico que garanta que o risco da operação do MV Hondius seja zero, mas contamos com critérios técnicos que aconselham que o buque permaneça o menor tempo possível nas Ilhas Canárias." Após a decisão de Clavijo, o governo espanhol ordenou que as Ilhas Canárias recebessem o cruzeiro. A informação é do jornal "El País". Javier Padilla, secretário de Saúde espanhol, publicou nas redes sociais um relatório de inspeção realizadas por especialistas a bordo que, segundo ele, aponta que não foram "detectados roedores e a probabilidade que um animal alcance a costa canária é nula". O documento é uma resposta a preocupação levantada pelo presidente das Ilhas Canárias durante coletiva de imprensa. Ele apontou o que considerou como "risco" de roedores descerem do navio e infectar a população local. A relação Ilhas Canárias e Espanha As Ilhas Canárias são um arquipélago pertencente à Espanha localizado no Oceano Atlântico, próximo à costa noroeste da África. O arquipélago é formado por oito ilhas principais, entre elas Tenerife, Gran Canaria, Lanzarote e Fuerteventura. A região possui autonomia administrativa semelhante à de outras comunidades espanholas, mas segue subordinada ao governo central em Madri em áreas como defesa, política externa e controle de fronteiras. As ilhas também ocupam uma posição estratégica para a Espanha devido à proximidade com o continente africano. Além do forte apelo turístico, a região é considerada um ponto importante para o comércio marítimo e para o controle migratório no Atlântico. Visita de Tedros Adhanom Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS Reprodução/TV Globo Neste sábado, antes da decisão do governo local, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou neste sábado (9) a Tenerife, maior ilha do arquipélago das Canárias, para acompanhar a operação de desembarque do cruzeiro. Antes de viajar às Canárias, Tedros publicou uma carta aberta aos habitantes do arquipélago. "Sei que vocês estão preocupados. Sei que, quando ouvem a palavra 'surto' ou 'epidemia' e veem um navio se aproximar de suas costas, vêm à tona lembranças que nenhum de nós conseguiu superar completamente. A dor de 2020 continua real, e eu não a minimizo nem por um momento", escreveu. No texto, ele disse compreender a apreensão da população, mas afirmou que os riscos representados pela chegada do cruzeiro são “baixos”. “Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu o diretor-geral da OMS. Tedros também reconheceu que a cepa do hantavírus registrada no cruzeiro é grave. Carta do diretor da OMS. Reprodução/Instagram “Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo”, afirmou. Segundo ele, essa é a avaliação da OMS e “não a fazemos levianamente”. O caso reacendeu temores na região seis anos após a pandemia de Covid. Pessoas entrevistadas pela AFP nos últimos dias relataram preocupação com a chegada do navio, embora a rotina em Granadilla seguisse relativamente normal neste sábado, com banhistas, feira ambulante e cafés da manhã no calçadão. David Parada, vendedor de loteria na região, disse que acompanha as notícias porque o navio ficará a poucos quilômetros dali. Segundo ele, há preocupação principalmente com possíveis riscos para trabalhadores envolvidos na operação, mas a população local não parecia alarmada. O último balanço da OMS, divulgado na sexta-feira, apontava seis casos confirmados entre oito suspeitos. Entre os mortos estão um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã. A doença é provocada por um vírus conhecido, mas pouco frequente, para o qual não há vacina nem tratamento específico. De acordo com a OMS, todas as pessoas a bordo foram classificadas como “contatos de alto risco”.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/09/governo-das-ilhas-canarias-diz-que-nao-vai-autorizar-ancoragem-de-cruzeiro-com-casos-de-hantavirus.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Lembrar De Nós Assim

Banda Raneychas

top2
2. DOIDO DOIDO

Guilherme Silva

top3
3. SÓ LIGUEI PRA DIZER QUE TE AMO

ALINE SILVA

top4
4. Por Tua Causa

Rasta Chinela

top5
5. Ô Garçom

Klessinha

Anunciantes