Governo muda percepção e prevê postura 'recatada' de Trump nas eleições brasileiras

  • 08/02/2026
(Foto: Reprodução)
A percepção do governo Lula sobre como a Casa Branca deve se comportar diante das eleições brasileiras mudou. Neste momento, diplomatas avaliam que, diante da estabilidade na relação entre Lula e Donald Trump, a tendência é de que não haja tentativas de influência no processo eleitoral nem um movimento explícito para apoiar um candidato do campo da direita. Apesar do otimismo, há no entorno de Lula o entendimento de que o presidente americano tem como característica ser volúvel, o que obriga o Brasil a não baixar a guarda e a atuar de forma estratégica para preservar a proximidade entre os dois mandatários. “Acho que a tendência até a eleição é de uma postura mais recatada do lado do Executivo americano”, afirmou uma fonte do governo que acompanha as tratativas com a Casa Branca. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Diplomatas atribuem a redução do risco de interferência à relação pessoal construída nos últimos meses entre Lula e Trump. Essas fontes citam a forma cortês — e, em alguns momentos, até carinhosa — com que o presidente americano tem tratado o petista. Relação pessoal entre os presidentes Na avaliação desses diplomatas, a boa relação pessoal funciona como um fator de blindagem, mesmo diante de pressões internas e externas para que a Casa Branca favoreça uma candidatura de direita. Quando o tarifaço de Trump foi imposto ao Brasil, em julho do ano passado, ministros e diplomatas brasileiros interpretaram a decisão como uma tentativa de forçar uma mudança de regime no país — seja para reabilitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, seja para desgastar o governo Lula em ano pré-eleitoral. No fim do ano passado, mesmo após Washington relaxar as tarifas e recuar na aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, persistia no entorno de Lula a desconfiança de que, mais adiante, a gestão Trump voltaria a agir para favorecer um candidato direitista, mais alinhado às posições da Casa Branca. Naquele momento, Lula e Trump já haviam conversado por telefone e se encontrado pessoalmente na Malásia. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia. Ricardo Stuckert/Presidência da República Zonas de influência Em dezembro, o Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou sua nova doutrina de segurança nacional, que prevê um mundo organizado por zonas de influência, com a América Latina subordinada aos interesses de Washington. Nessa configuração, os EUA passam a se atribuir o direito de interferir em processos internos de qualquer país inserido em sua área de influência. Naquele mês, um diplomata próximo ao governo afirmou não ter ilusões sobre a volatilidade da relação bilateral. “Os americanos querem uma zona de influência totalmente subordinada. Não podemos achar que todas as nossas preocupações se dissiparam.” Daqui até as eleições, o esforço da diplomacia brasileira será manter a proximidade com a Casa Branca como uma espécie de vacina contra movimentos da oposição bolsonarista. Nesse sentido, o governo tem insistido na necessidade de tirar do papel ações de cooperação com os Estados Unidos para combater o crime organizado. A ênfase no tema tem relação com o cenário eleitoral. O Palácio do Planalto prevê que segurança pública seja um debate central no pleito e que a oposição tentará desgastar Lula com esse assunto. Discutir o tema diretamente com Trump, portanto, é visto como uma forma de tentar neutralizar ações da oposição — sobretudo do grupo ligado ao senador Flávio Bolsonaro, provável candidato do campo da direita.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/02/08/governo-muda-percepcao-e-preve-postura-recatada-de-trump-nas-eleicoes-brasileiras.ghtml


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