Irã considera atacar alvos militares dos EUA na Europa em caso de nova escalada na guerra, diz jornal
Trump diz que não há perspectiva de negociações com o Irã
O Irã está considerando atacar alvos militares dos Estados Unidos na Europa caso a guerra entre eles tenha uma nova escalada, revelou nesta quarta-feira (19) o jornal britânico "Financial Times" (FT).
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Duas fontes do regime iraniano afirmaram ao jornal que Teerã visa tais ataques para elevar os riscos do conflito para os EUA.
Nessa investida, o Irã tem analisado atacar alvos norte-americanos em países do sudeste europeu, como na Bulgária ou no Chipre, segundo o FT:
Um dos potenciais alvos seria a base aérea búlgara de Bezmer, que desde o mês passado tem sido utilizada por aeronaves do Exército dos EUA para reabastecimento;
Outra instalação que poderia ser visada é uma base aérea britânica no Chipre que já havia sido atingida por um drone iraniano em março.
Além disso, o regime iraniano também tem considerado a possibilidade de atacar cabos submarinos de fibra óptica no Estreito de Ormuz em caso essa nova escalada ocorra, disseram as fontes iranianas ao FT.
A revelação do jornal britânico ocorre em um momento que as tensões entre EUA e Irã em torno do impasse na guerra no Oriente Médio têm se traduzido em uma escalada de ameaças que pode levar a uma nova expansão nos combates. Leia mais abaixo.
Uma autoridade da Otan afirmou à agência de notícias Reuters que a aliança militar está preparada para enfrentar qualquer ameaça e fazer o que for necessário para defender todos os aliados. “Nossa postura de dissuasão e defesa é forte e eficaz, como demonstrado nas interceptações, em quatro ocasiões distintas, de mísseis balísticos iranianos em direção à Turquia."
A Europa, que tem tentado manter distância do conflito, ficou em estado de alerta em março quando dois mísseis foram disparados pelo Irã em direção à base norte-americana na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, a cerca de quatro mil quilômetros de distância. Isso porque esse alcance dos projéteis iranianos, que não se tinha notícia até o momento do ataque, seria suficiente para atingir diversas capitais europeias.
Nova escalada na guerra
O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou declarar o Estreito de Ormuz como território dos EUA —algo inviável e proibido à luz do direito internacional— e bombardear o aliado Omã caso o país chegue a um acordo com o Irã sobre o controle da navegação comercial na via marítima.
Ameaças do presidente norte-americano de bombardear a infraestrutura vital iraniana, teoricamente, ainda estariam na mesa como uma possível alternativa para escalada. Outra ameaça feita pelo governo Trump nos últimos dias é de criar um isolamento econômico ao Irã "como o mundo nunca viu antes".
Teerã, por sua vez, que disse estar perto de concluir o acordo com o Omã, elevou o tom nesta semana ao impor um ultimato aos EUA e afirmar que passaria a tomar uma postura mais ofensiva na guerra caso as negociações com a Casa Branca para o fim do conflito fracassem.
Uma autoridade do regime iraniano afirmou à Reuters que Teerã "intensificará as tensões no Estreito de Ormuz e em toda a região se a diplomacia com os Estados Unidos falhar". Entre as exigências do Irã para não escalar o conflito, estão:
o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos;
o encerramento das sanções ao petróleo iraniano;
a liberação dos ativos congelados de Teerã;
o fim das ameaças e operações militares em todas as frentes da guerra.
Trump disse na terça que não havia tratativas em andamento com o regime iraniano.
LEIA TAMBÉM:
'O plano secreto do Irã': por que o regime iraniano não quer encerrar a guerra agora?
Irã diz considerar 'alvo legítimo' base militar do Reino Unido utilizada pelos EUA para bombardeio
EUA avaliam reduzir presença militar no Oriente Médio e não reconstruir bases atacadas, diz jornal
Agora no g1FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/08/19/ira-considera-atacar-alvos-militares-eua-na-europa-nova-escalada-guerra-diz-jornal.ghtml