Irã rebate Trump, chama ameaças de 'blefe' e diz que deve cobrar taxas de navegação no Estreito de Ormuz
25/05/2026
(Foto: Reprodução) O presidente Donald Trump faz pronunciamento no Rockland Community College, em Suffern, Nova York
REUTERS/Kylie Cooper
"Não acreditem no blefe do presidente derrotado, o tempo corre contra os americanos", disse o porta-voz do Parlamento iraniano Ebrahim Rezaei na rede social X nesta segunda (25). A publicação ocorre após a nova ameaça de Donald Trump contra o país.
No sábado (23), Trump disse achar que o acordo estava perto de ser concluído — horas depois, afirmou também que iria "explodi-los [os iranianos] em mil infernos" caso as duas partes não chegassem a um consenso até este domingo.
Horas depois das falas, Rezaei afirmou que "se eles [os EUA] querem um acordo, que negociem; se querem gasolina a 6 dólares, que fiquem parados e blefando até que nasça grama sob seus pés."
Agora no g1
Ainda sobre o potencial acordo entre EUA e Irã, Marco Rubio defendeu o direito de defesa de Israel. O porta-voz iranino reforçou que o Irã 'não se curvará à força e à ameaça".
Acordo nuclear só depois do fim da guerra
Em entrevista a agência local Isna, o diplomata Hossein Noushabadi, diretor do Ministério das Relações Exteriores do Irã, classificou como "pura fabricação" os rumores de uma suspensão de 20 anos no enriquecimento de urânio.
De acordo com o diplomata, o programa nuclear e as reservas de urânio altamente enriquecido só serão debatidos em uma fase posterior de até 60 dias, sob condições estritas:
Suspensão total e verificável de todas as sanções;
Liberação completa de ativos iranianos congelados;
Retirada total das forças dos EUA da região.
O esboço inicial defendido pelo Irã foca no fim da guerra em todas as frentes (incluindo o Líbano), na suspensão do bloqueio naval americano, na venda irrestrita de petróleo e na reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo o diplomata, a questão de Ormuz continuará sendo tratada de forma exclusivamente bilateral entre o Irã e Omã.
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que país não deve cobrar pela passagem pelo Estreito de Ormuz, entrando, disse que serviços prestados costumam ter um preço, mas não seriam considerados como taxas.
Acordo pode ser concluído nesta segunda
O secretário de Estados dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o acordo entre Irã, Israel e Estados Unidos pode ser concluído nesta segunda-feira (25). Rubio ainda disse que o país daria todas a chances à diplomacia antes de 'explorar as alternativas'.
"Achamos que poderíamos ter alguma novidade ontem à noite, talvez hoje, eu não tiraria conclusões precipitadas disso", disse Rubio em Nova Deli.
No domingo, o presidente norte-americano disse ter orientado os representantes dos EUA a não terem pressa de negociar um acordo com Teerã e que o tempo está a favor do governo norte-americano. "As negociações estão progredindo de forma ordenada e construtiva", publicou.
As negociações entre Irã e Estados Unidos pelo fim da guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro, se arrastam há semanas. Uma proposta feita pelo Irã na semana passada foi rejeitada por Washington, que disse considerar os termos insuficientes.
Uma das principais exigências americanas é o encerramento definitivo do programa nuclear iraniano, o que Teerã rejeita.
Secretario de Estados dos EUA em uma coletiva de imprensa com o Ministro de Relações Exteriores da Índia, em Nova Deli, na Índia
Julia Demaree Nikhinson/ Pool via Reuters
Acordo pode estar próximo de acontecer
Ainda neste domingo, o jornal "New York Times" informou que os dois países chegaram a um entendimento preliminar: o Irã reabriria o Estreito de Ormuz em troca da entrega de seu arsenal nuclear. A informação é atribuída a um oficial americano próximo das negociações.
Os Estados Unidos impõem, desde abril, um bloqueio aos portos iranianos, depois que Teerã praticamente paralisou o tráfego pelo Estreito de Ormuz em resposta aos ataques americanos e israelenses contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro.
Ormuz é um corredor estratégico para o comércio mundial de petróleo — antes do conflito, cerca de 20% da produção global passava por ali. O fechamento temporário pressionou os preços da commodity no mundo todo.
No post deste domingo, Trump também faz referência ao acordo nuclear firmado por Barack Obama em 2015. O pacto previa limitar o programa nuclear iraniano em troca da retirada de sanções internacionais.
Críticos do acordo, entre eles Israel, afirmam que parte dos recursos liberados foi usada pelo regime iraniano para financiar grupos armados no Oriente Médio.