J.D. Vance tem semana desastrosa, enquanto Rubio se fortalece diante de Trump
15/04/2026
(Foto: Reprodução) JD Vance diz que negociações entre EUA e Irã terminaram sem acordo
Em uma semana desastrosa, o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, enfrentou dissabores que o distanciaram da esfera política orbitada pelo chefe, Donald Trump.
Fracassaram suas aventuras na Hungria para turbinar a campanha de Viktor Orbán e no Paquistão, como autoridade do mais alto escalão do governo a negociar um acordo com o Irã.
Na volta aos EUA, Vance, fervoroso católico convertido há oito anos, ainda precisou fazer a defesa de Trump na briga com o papa Leão XIV e na imagem de IA publicada pelo presidente, retratado como Jesus Cristo.
Sua tentativa de associar a postagem a uma piada ruiu rapidamente, já que o próprio Trump revelou que não brincava e se viu como médico e salvador de um doente.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, ao lado de Orbán durante um evento em Budapeste na semana anterior às eleições
REUTERS
Enquanto Vance anunciava no sábado (11), em Islamabad, a capital do Paquistão, o fracasso da negociação com o Irã, após uma complexa reunião de 21 horas, Trump se divertia com o secretário de Estado, Marco Rubio, em Miami, assistindo a uma luta do UFC. Isso diz muito de quem é o favorito da vez para ocupar o lugar de herdeiro político do presidente.
Lançado em missões que eram o prenúncio de derrota, o vice-presidente parece ter sido rebaixado e fritado pelo próprio chefe.
Orbán perdeu feio para Péter Magyar e o Irã abandonou as negociações, obrigando Vance — um dos poucos no Gabinete de Trump contrário à guerra com o Irã — a justificar às 3h da madrugada a ausência de um acordo:
"Não chegamos a um acordo, e acho que isso é uma notícia muito pior para o Irã do que para os Estados Unidos."
O desempenho de Vance vem despencando nas pesquisas. Uma avaliação detalhada de Harry Enten, analista de dados da CNN, revelou que ele é o vice-presidente menos popular, quando comparado a seus antecessores no mesmo período do mandato. Isso inclui Dick Cheney em 2007, Joe Biden em 2010, Mike Pence em 2018 e Kamala Harris em 2022.
Rubio cochicha para Trump
Reuters
Desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2025, a taxa de aprovação líquida de Vance caiu 21 pontos, refletindo também a impopularidade do presidente, observa Enten:
"J.D. Vance não está em uma situação nada boa neste momento. Ele vai para o fundo do poço! J.D. Vance está sendo arrastado junto com o presidente dos Estados Unidos."
Outro indício preocupante para Vance é o resultado da pesquisa anual realizada entre os participantes da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no fim de março em Dallas: ele ainda se mantém na dianteira como sucessor de Trump, com 53% de apoio, mas com 6 pontos a menos do que a pesquisa do ano passado.
Rubio, que sequer foi mencionado na última pesquisa, angariou 35% de apoio na deste ano.
O secretário de Estado se mostra cada vez mais próximo ao presidente, revelando discrição e lealdade. Chegou a calçar sapatos maiores que foram presenteados pelo chefe. Trump apreciou, e os doadores já perceberam esta ascensão.