Khamenei diz que Trump não conseguirá derrubá-lo e ameaça afundar porta-aviões dos EUA
17/02/2026
(Foto: Reprodução) Ali Khamenei e Donald Trump
Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP; AP Photo/Evan Vucci
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá acabar com a República Islâmica. Ele também ameaçou derrubar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, que está na próximo ao Irã.
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"Há 47 anos os EUA não conseguiram destruir a República Islâmica. Você também não conseguirá fazer isso, afirmou Khamenei em fala direcionada a Trump. O líder supremo do Irã também criticou Trump por tentar "ditar" o resultado das negociações nucleares —as tratativas desta terça abriram caminho para um acordo entre os dois países, segundo o chanceler iraniano.
"O presidente dos EUA diz que o Exército deles é o mais forte do mundo, mas o Exército mais forte do mundo às vezes pode levar um golpe tão forte que não consegue se levantar. (...) Mais perigoso que o porta-aviões deles é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar", afirmou o líder supremo iraniano em discurso em Teerã.
A fala ocorreu em meio à retomada das negociações entre EUA e Irã, mediadas pelo Omã, para limitar o programa nuclear iraniano. Trump exige que Teerã acabe com seu programa e protagoniza uma escalada de tensões e militar contra o regime Khamenei. O líder norte-americano ameaça atacar o país do Oriente Médio caso as negociações fracassem. (Leia mais abaixo)
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Ao contrário de Khamenei, Trump fala constantemente sobre as negociações com o Irã e alterna entre ameaças e um tom mais otimista. Na segunda-feira, ele disse que estaria envolvido "indiretamente" nas tratativas e voltou a ameaçar o país do Oriente Médio caso não haja acordo.
"Estarei envolvido indiretamente nas negociações, vamos ver o que vai acontecer. Acho que eles são maus negociadores, porque poderíamos ter tido um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir o potencial nuclear deles. E tivemos que enviar os B-2", disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One. “Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo”, concluiu.
Desde que iniciou a pressão contra o Irã, em janeiro, Trump ordenou a ida de uma ampla presença militar para o Oriente Médio, que inclui dois porta-aviões e dezenas de outros navios de guerra, incluindo destróieres, além de dezenas de jatos de combate.
O grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln chegou no final de janeiro ao Mar Arábico, próximo à costa sul do Irã. Já o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, foi despachado para a região nos últimos dias.
Khamenei também afirmou que seu programa de mísseis balísticos —um dos trunfos do arsenal iraniano— "não tem nada a ver" com os EUA, indicando mais uma vez que não o incluirá nas negociações com os norte-americanos. Segundo o líder supremo iraniano, é "essencial" para um país ter tal poder de dissuasão. O governo Trump quer incluir o programa de mísseis de Teerã nas tratativas, porém elas se restringiram a seu programa nuclear até o momento.
Trump avalia um ataque militar direto ao Irã caso as negociações fracassem, indicando estar pronto para realizar bombardeios que desabilitem as capacidades iranianas. Sobre isso, Khamenei disse que os EUA não estão prontos para uma guerra contra o país e está esperando Washington cometer um "erro".
Negociação nuclear e tensão militar
Manifestantes a favor do príncipe herdeiro do Irã, em Munique.
Ebrahim Noroozi/AP
As negociações são tratadas com cautela porque EUA e Irã ainda têm grandes diferenças entre eles: enquanto Washington exige de Teerã extinguir os programas nuclear e de mísseis e parar de apoiar grupos armados da região, o regime Khamenei afirma que negociará apenas seu programa nuclear.
A principal autoridade nuclear iraniana afirmou nesta semana que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções impostas ao país. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse na semana passada que o país está disposto a "inspeções" da AIEA para mostrar que seu programa nuclear é pacífico, mas afirmou que não cederá a "exigências excessivas" dos EUA.
O presidente dos EUA, Donald Trump, alterna entre indicar esperança por um acordo nuclear e ameaças diretas ao regime Khamenei. Na semana passada, Trump ameaçou tomar "medidas muito duras" contra o Irã caso as negociações fracassem e enviou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para reforçar o cerco militar ao país do Oriente Médio —que já tem o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln posicionado na região.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou na segunda-feira que faria novos exercícios militares no Estreito de Ormuz, o que elevou as tensões com as tropas dos EUA que estão estacionadas na região.
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Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, discursa em Teerã em 17 de fevereiro de 2026.
Gabinete do líder supremo do Irã/Wana Handout via REUTERS