Laura Fernández, de direita e pró-Trump, é eleita presidente da Costa Rica
02/02/2026
(Foto: Reprodução) A candidata à presidência da Costa Rica, Laura Fernández, se prepara para votar em uma seção eleitoral em Cartago, Costa Rica, no domingo, 1º de fevereiro de 2026.
AP/Carlos Borbon
A cientista política Laura Fernández, conservadora de 39 anos que apoia de Donald Trump e as megaprisões do salvadorenho Nayib Bukele, será a nova presidente da Costa Rica.
Fernández, candidata do atual governo, de direita, venceu as eleições presidenciais realizadas no domingo (1º) no país, um dos mais prósperos da América Latina, mas que também vem enfrentando o crescimento do narcotráfico e da violência.
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Segundo o Tribunal Supremo Eleitoral do país, com 88,4% das urnas apuradas, ela tinha 49,1% dos votos — era preciso 40% para vencer o pleito no 1º turno. Seu adversário mais próximo, o economista Álvaro Ramos, do Partido de Libertação Nacional, obteve 32,8% dos votos.
Fernández, de 39 anos, fez campanha defendendo a continuidade das políticas do atual presidente, Rodrigo Chaves, que, pelas regras do país, não pode concorrer à reeleição. E acenou com a construção de megaprisões, nos moldes das de El Salvador.
O aumento da criminalidade nos últimos anos na Costa Rica, um país historicamente pacífico, pode ter sido ser um fator decisivo para muitos eleitores. Alguns deles culpam o atual governo por não ter conseguido reduzir esses índices, mas muitos foram atraídos pela promessa de Laura Fernández de braço firme na luta contra o narcotráfico muitos deles.
Atual ministra da Presidência, Fernández promete concluir um presídio inspirado na megaprisão para membros de gangues de Bukele e impor estados de exceção, como fez o mandatário salvadorenho para acabar com a insegurança, embora ONGs o acusem de violar os direitos humanos.
➡️ Um famoso destino turístico por sua vasta riqueza natural, a Costa Rica, com 5,2 milhões de habitantes, deixou de ser apenas ponte para se tornar ponto de exportação de drogas, penetrada por cartéis mexicanos e colombianos, segundo as autoridades.
Maioria no Congresso
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Os costa-riquenhos também votaram no domingo para renovar a Assembleia Nacional, composta por 57 cadeiras. Os resultados não haviam sido divulgados até a última atualização desta reportagem, mas pesquisas indicavam que o partido de Chaves ganhará mais espaço.
A dúvida é se os votos serão suficientes para que a sigla alcance também a chamada supermaioria — o que permitiria ao novo governo, por exemplo, escolher todos os magistrados da Suprema Corte.
Vinte candidatos disputavam a presidência, mas nenhum, além de Fernández e Ramos, ultrapassou 5% nos resultados preliminares e parciais.
Há quatro anos, Chaves fez uma campanha como “outsider” que o levou à vitória sobre os partidos tradicionais do país, embora tenha sido ministro da Economia. Sua narrativa de que os partidos tradicionais eram corruptos e agiam por interesse próprio teve grande repercussão em um país que, apesar de ser um dos mais prósperos da América Latina, tem desemprego alto e um déficit orçamentário crescente.
A candidata da direita às eleições em Costa Rica, Laura Fernández, durante comício em Herédia, em 29 de janeiro de 2026.
Mayela Lopez/ Reuters