Líder supremo do Irã diz que assinatura de Trump não têm valor e prega unidade nacional
18/07/2026
(Foto: Reprodução) Um mês após acordo, EUA bombardeiam Irã pelo 7º dia seguido; petróleo tem a maior alta desde abril
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou neste sábado (18) que os Estados Unidos voltaram a descumprir compromissos assumidos no acordo de paz durante a guerra no Oriente Médio e disse que a assinatura de um presidente americano "não tem valor nem credibilidade".
A declaração foi publicada em uma conta ligada ao gabinete de Khamenei na rede social X.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
"A repetida violação dos compromissos do Grande Satã em relação ao acordo, mais uma vez, revelou a verdade: a assinatura do presidente dos Estados Unidos tem tão pouco valor e credibilidade quanto as palavras e a conduta enganosas, traiçoeiras e brutais do regime americano", diz a publicação.
Na mensagem, os EUA são chamados de "Grande Satã", expressão utilizada com frequência por autoridades iranianas desde a Revolução Islâmica de 1979 para se referir ao país.
Em uma sequência de publicações, Khamenei também fez um apelo à unidade nacional diante da escalada do conflito. Segundo ele, "um dos princípios mais importantes neste momento é insistir na unidade de palavra e na união sagrada em todos os níveis".
O líder iraniano acrescentou que preservar a unidade e evitar divisões é dever tanto das autoridades quanto da população e que diferenças políticas e sociais não devem comprometer a coesão do país.
Em outra mensagem, Khamenei declarou confiar nos comandantes militares e afirmou que eles trabalham "pela prosperidade e felicidade da nação", acrescentando que permanecerá atento para garantir a defesa dos interesses do Irã.
O aiatolá também afirmou que os Estados Unidos estão pagando um preço cada vez maior pela escalada da guerra.
"Agora que o inimigo americano pagou um preço cada vez mais alto por alimentar a guerra e suportar seus pesados custos, a querida nação iraniana e a frente de resistência sabem que os dias em que os Estados Unidos podiam ignorar essas consequências chegaram ao fim. A bravura dos combatentes do Islã e a coragem do povo de Haifa mostraram isso nos últimos dias", escreveu.
Khamenei afirmou que os Estados Unidos deveriam saber que a nação iraniana e a “frente de resistência” têm “lições inesquecíveis” para lhes ensinar.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, exaltou a mensagem de união do líder supremo: "A adesão às exigências da unidade sagrada e a rejeição à discórdia e à divisão são a chave para a vitória nesta conjuntura histórica".
Nova escalada do conflito
A manifestação ocorre em meio ao agravamento do conflito entre os dois países e poucas horas depois de Teerã anunciar que suspendeu os compromissos assumidos em um acordo temporário de paz firmado com Washington cerca de um mês atrás.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou à televisão estatal que os EUA descumpriram os termos do entendimento e, por isso, o governo iraniano "não está mais implementando" suas obrigações.
Até o momento, não houve novos avanços nas tentativas de mediação.
Enquanto isso, os confrontos continuam. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que realizou, pela sétima noite consecutiva, ataques contra instalações de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas iranianas.
Segundo a mídia estatal iraniana, bombardeios americanos atingiram usinas elétricas e instalações de dessalinização na província de Hormozgan, no sul do país.
A agência IRNA afirmou que uma usina de dessalinização foi destruída, interrompendo o abastecimento de água para cerca de 10 mil pessoas, enquanto outra foi danificada na estratégica ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz.
Os ataques também atingiram pontes e túneis em rotas de acesso ao porto de Bandar Abbas, principal terminal marítimo iraniano e ponto estratégico próximo ao estreito.
Do outro lado, o Irã intensificou os ataques contra países da região. As autoridades do Kuwait informaram que mísseis iranianos atingiram uma instalação de petróleo e uma usina de dessalinização, provocando incêndios e deixando feridos.
O país, que depende da dessalinização para cerca de 90% de sua água potável, também precisou fechar temporariamente seu espaço aéreo.
Além do Kuwait, Iraque, Jordânia, Bahrein e Arábia Saudita relataram interceptações de drones e mísseis iranianos ou acionaram sistemas de defesa aérea durante o sábado.
Disputa pelo Estreito de Ormuz
O conflito também elevou a tensão em torno do Estreito de Ormuz, passagem por onde, antes da guerra, transitava cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
Após o início dos confrontos, o Irã restringiu o tráfego marítimo na região e passou a defender que o estreito fique sob seu controle exclusivo, cobrando taxas das embarcações. A medida reduziu significativamente a circulação de navios e voltou a pressionar os preços internacionais do petróleo.
Em resposta, Donald Trump, voltou a ameaçar atacar infraestrutura estratégica iraniana, como usinas de energia e pontes, e restabeleceu um bloqueio naval aos portos do país para dificultar as exportações de petróleo.
Antes do início da guerra, Washington e Teerã negociavam um novo entendimento sobre o programa nuclear iraniano. Com a escalada militar, porém, as conversas foram interrompidas e o conflito segue sem perspectiva de cessar-fogo.
*Com informações da agência Associated Press
Donald Trump e Mojtaba Khamenei
Chip Somodevilla/via Reuters; Hamed Jafarnejad/ISNA/WANA/Reuters