Morte de 4 irmãos sozinhos em casa expõe drama de crianças que crescem longe dos pais na China; entenda

  • 10/09/2026
(Foto: Reprodução)
Morte de 4 irmãos sozinhos em casa expõe drama de crianças deixadas para trás na China A história de quatro irmãos mortos dentro de um quarto na China revela um dos lados menos conhecidos do rápido desenvolvimento econômico do país: o custo humano da migração de trabalhadores das áreas rurais para os grandes centros industriais. O menino mais velho tinha 13 anos. As três irmãs tinham 9, 7 e 5 anos. Os quatro viviam sozinhos e frequentavam a escola, mas não havia nenhum adulto responsável por eles. As crianças se alimentavam apenas de farinha de milho crua. O pai, que havia deixado a região para trabalhar, enviava o equivalente a R$ 500 por mês. Sem alguém que cuidasse delas, os quatro foram encontrados mortos depois de beberem juntos um frasco de veneno. O caso aconteceu em uma região rural da China e funcionários do governo foram demitidos após a tragédia. A cidade chegou a ser fechada para a imprensa durante três semanas. Até hoje, não se sabe qual era o rosto das quatro crianças. O único registro da história é uma fotografia do quarto onde elas viviam. Entre Dois Mundos: Como China e EUA usam a engenharia como arma de prestígio e propaganda Morte de 4 irmãos sozinhos em casa expõe drama de crianças que crescem longe dos pais na China Reprodução/TV Globo Crianças deixadas para trás A tragédia está relacionada a um fenômeno que marcou o crescimento econômico chinês nas últimas décadas: a migração em massa de trabalhadores rurais para outras regiões do país. Na província de Guizhou, onde fica a ponte mais alta do mundo, cerca de 600 mil pessoas deixavam a região todos os anos para trabalhar principalmente na indústria têxtil. No início desse processo, a reportagem afirma que o salário médio era de US$ 25 por mês. Os trabalhadores recebiam alojamento e alimentação e enviavam boa parte do dinheiro para suas famílias. O movimento ajudou a tirar milhões de pessoas da pobreza, mas também separou pais e filhos. Segundo a reportagem, quase 90 milhões de crianças chinesas ficaram para trás durante esse processo e passaram a ser criadas principalmente pelos avós. Hoje, a China tem cerca de 180 milhões de trabalhadores migrantes rurais, de acordo com o material exibido na reportagem. O sistema que separava pais e filhos Uma das razões para essa separação era o chamado sistema hukou, um registro de residência que, durante décadas, dificultou o acesso dos trabalhadores migrantes e de seus filhos a serviços públicos nas cidades onde eles trabalhavam. Na prática, famílias originárias de regiões como Guizhou podiam se mudar para trabalhar em fábricas, mas não tinham os mesmos direitos de acesso a serviços urbanos. Os filhos, por exemplo, não podiam simplesmente ser matriculados nas escolas próximas às fábricas. Isso criou uma enorme força de trabalho barata, fundamental para o modelo econômico chinês das últimas quatro ou cinco décadas. Medidas após as tragédias Nos últimos anos, o sistema foi flexibilizado. Algumas escolas passaram a aceitar filhos de trabalhadores migrantes, embora ainda existam restrições, como a realização do vestibular no local de origem. Após casos como o dos quatro irmãos, o governo também passou a adotar medidas de acompanhamento de crianças que vivem sem os pais. Elas passaram a receber mais apoio da polícia e do Ministério da Educação e a ser monitoradas por celular. Essas medidas teriam contribuído para reduzir o problema. Ao mesmo tempo, a China tenta mudar a imagem dessas regiões rurais. Guizhou, por exemplo, passou a ser apresentada como um novo destino turístico, com grandes obras de infraestrutura, internet 5G e iniciativas para estimular a economia local. A reportagem, porém, mostra o contraste entre essa imagem e a realidade de comunidades que perderam parte de sua população para os grandes centros industriais. A ponte de 625 metros sobre o cânion, símbolo da capacidade chinesa de construir grandes obras em tempo recorde, está justamente em uma dessas regiões. De um lado, infraestrutura, tecnologia e turismo. Do outro, uma história de crianças que ficaram para trás durante o processo que ajudou a transformar a China em uma potência econômica. O que explica a diferença de custos entre grandes obras na China e nos Estados Unidos Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM: O que explica a diferença de custos entre grandes obras na China e nos Estados Unidos Veja a reportagem completa no vídeo abaixo: Não é só uma ponte: as obras monumentais como arma de propaganda entre China e EUA GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito. 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FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/09/10/morte-de-4-irmaos-sozinhos-em-casa-expoe-drama-de-criancas-que-crescem-longe-dos-pais-na-china-entenda.ghtml


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