Morte de ativista de extrema direita acirra ânimos na política francesa

  • 16/02/2026
(Foto: Reprodução)
Buquê de flores é colocado em local onde militante de extrema direita Quentin Deranque, 23, morreu em Lyon, na França OLIVIER CHASSIGNOLE / AFP O governo francês acusou, nesta segunda-feira (16), a esquerda radical de incentivar um “clima de violência” a um mês das eleições municipais, dias depois da morte de um ativista de extrema direita que a Justiça investiga como “homicídio doloso”. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Quentin Deranque, de 23 anos, morreu no fim de semana após uma agressão sofrida na quinta-feira (12) em meio a um protesto da extrema direita contra um evento de uma eurodeputada de esquerda em uma universidade de Lyon, no sudeste do país. A Justiça abriu uma investigação por homicídio doloso, disse em coletiva de imprensa o promotor de Lyon, Thierry Dran. Ainda não foram realizadas detenções, e as investigações continuam para identificar os autores. A morte de Deranque reativou o confronto entre a extrema direita e a esquerda radical em um cenário de crescente polarização, pouco antes das eleições municipais de março — a próxima eleição presidencial ocorrerá em 2027. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A porta-voz do governo francês, de centro-direita, Maud Bregeon, apontou a "responsabilidade moral" do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), ao qual acusou de ter "incentivado um clima de violência durante anos". A extrema direita atribuiu o ataque a ex-ativistas do movimento antifascista Jeune Garde (Jovem Guarda), cofundado por um deputado da LFI antes de ser eleito, e que foi dissolvido em junho do ano passado. O grupo negou no domingo qualquer vínculo com os "eventos trágicos". Traumatismo cranioencefálico Segundo uma fonte próxima à investigação, a agressão ocorreu na quinta-feira (12) à tarde em meio a "um confronto entre grupos de extrema esquerda e de extrema direita". Deranque foi derrubado e agredido por ao menos seis indivíduos encapuzados, segundo investigadores que não quiseram revelar seus nomes, em paralelo a uma aparição da eurodeputada de esquerda Rima Hassan, indicou o representante do Ministério Público. Quando foi atendido pelos serviços de emergência, o jovem "apresentava essencialmente lesões na cabeça", entre elas "um traumatismo cranioencefálico grave", disse o promotor Dran durante a coletiva. Um suposto vídeo do ataque divulgado pelo canal TF1 mostra cerca de dez pessoas agredindo três jovens no chão. Dois deles conseguem escapar. Uma testemunha disse à AFP que "eles se agrediam com barras de metal". O veterano líder da LFI e três vezes candidato à presidência, Jean-Luc Mélenchon, rejeitou qualquer responsabilidade no caso, que acendeu o debate para as eleições municipais do próximo mês. Essas eleições também são consideradas um teste para a presidencial de 2027, que elegerá o sucessor de Emmanuel Macron, impedido de se candidatar após dois mandatos consecutivos. As pesquisas de opinião apontam como favorita a legenda de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), que, com Marine Le Pen como candidata, passou ao segundo turno nas duas eleições presidenciais vencidas por Macron. No entanto, a líder de extrema direita está atualmente inelegível por uma condenação por desvio de recursos públicos e, após recorrer, aguarda agora a sentença em segunda instância, prevista para julho. Caso a inelegibilidade seja mantida, seu protegido, Jordan Bardella, poderá ser o candidato à presidência pelo RN. Segundo uma pesquisa divulgada no domingo, Bardella, de 30 anos, jovem e popular, seria o candidato preferido pelos franceses, à frente de Le Pen e do ex-primeiro-ministro de centro-direita Édouard Philippe.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/16/morte-de-ativista-de-extrema-direita-abala-politica-francesa.ghtml


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