Netanyahu diz que cessar-fogo não inclui Líbano

  • 08/04/2026
(Foto: Reprodução)
Cessar-fogo O primeiro-minsitro de Israel, Banjamin Netanyahu, declarou nesta quarta-feira (8) que o cessar-fogo de duas semanas acordado entre EUA e Irá com mediação do Paquistão não envolve o Líbano. Inicialmente, o país foi anunciado como parte da trégua. O gabinete de Netanyahu publicou no X nesta madrugada que Israel está comprometido em alcançar os objetivos dos EUA e aliados. Entretanto, o comunicado retirou o Líbano do cessar-fogo, algo que contrariou o que foi divulgado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, de que a interrupção dos ataques envolveria todas as frentes do conflito. Durante a madrugada, o exército de Israel emitiu alertas para evacuação da cidade de Tiro, no sul do país. Segundo a Reuters, os militares israelenses orientaram a população para se deslocar para o norte do Rio Zahrani, afirmando que atacará a área. Por que Líbano faz parte da guerra? O país tem sido alvo de constantes ataques israelenses desde os primeiros dias da guerra, iniciada em 28 de fevereiro. Israel afirma ter como alvos o grupo extremista Hezbollah, aliado do Irã que atua no país que lançou ataques contra o território israelense. Alegando a proteção de seu território, Israel invadiu o sul do Líbano, tomando o controle militar de todo o território do país vizinho até o rio Litani. Ataques aéreos também foram realizados contra a capital, Beirute, e o Vale do Beqaa, no leste do país. Segundo o governo libanês, mais de 1.500 pessoas morreram em ataques israelenses no país desde o início do conflito, e outras 4.800 ficaram feridas. Equipes de resgate e voluntários buscam vítimas de ataque israelense em Jnah, no sul de Beirute, no Líbano, em 5 de abril de 2026. REUTERS/Stringer Condições para o fim da guerra A trégua foi mediada pelo Paquistão e envolve todas as frentes de batalha, incluindo Israel e o Líbano. Autoridades iranianas e norte-americanas devem se reunir em Islamabad na próxima sexta-feira (10) para iniciar negociações de um acordo de paz. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia prometido atacar estruturas energéticas e pontes do Irã caso não houvesse acordo até as 21h de terça-feira. Ele chegou a afirmar que uma “civilização inteira” morreria. Noventa minutos antes do fim do prazo, Trump disse em uma rede social que havia concordado em adiar os ataques por duas semanas. Segundo ele, a decisão foi condicionada à reabertura do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã após o início da guerra. Cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo passam pela rota marítima. O fechamento do Estreito de Ormuz pressionou os preços do petróleo e gerou impactos econômicos em vários países, incluindo os Estados Unidos. Além da reabertura da via, os EUA já haviam listado outras condições para encerrar a guerra, como o compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares. Entre os pontos estão: limitação do alcance e da quantidade de mísseis iranianos; desativação de usinas de enriquecimento de urânio; fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah; criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz. Trump afirma que os EUA já venceram a guerra. Ao anunciar a trégua, ele disse que todos os objetivos americanos foram alcançados. Na sequência, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a ofensiva como um sucesso. "Esta é uma vitória para os Estados Unidos, conquistada pelo presidente Trump e pelas nossas forças armadas", disse Leavitt. "Graças às nossas capacidades militares, alcançamos e superamos os principais objetivos em 38 dias." O lado do Irã A mídia estatal iraniana classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump” e afirmou que os EUA aceitaram os termos de Teerã. Agências oficiais disseram que o Irã resistiu e que os americanos não atingiram seus objetivos. Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o fim dos ataques e a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo ele, a passagem de navios será segura, com coordenação das forças iranianas e dentro de limitações técnicas. Araghchi disse ainda que as negociações entre os dois países terão como base um plano de 10 pontos elaborado pelo Irã. O chanceler afirmou que os Estados Unidos aceitaram as condições da proposta. Trump, por outro lado, disse que o plano é uma base viável, mas que ainda há divergências. Segundo o governo iraniano, a proposta exige o fim das sanções dos EUA, pagamento de compensações e liberação de ativos iranianos congelados. A agência Mehr, controlada pelo governo iraniano, afirmou que os 10 pontos apresentados por Teerã incluem: Não agressão. Permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz. Aceitação do enriquecimento de urânio por parte do Irã. Suspensão de todas as sanções primárias ao Irã. Suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã. Revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA. Pagamento de indenização ao Irã. Retirada das forças de combate dos EUA da região. Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano. Segundo a Associated Press (AP), o Irã divulgou plano de cessar-fogo de 10 pontos na versão em língua farsi com a frase "aceitação do enriquecimento" para seu programa nuclear, algo que estava ausente nas versões em inglês compartilhadas por diplomatas iranianos com jornalistas. LEIA TAMBÉM: 'TACO': expressão 'Trump sempre amarela' volta a viralizar após presidente suspender ataques ao Irã De aiatolá morto a ataque suspenso: guerra abala Oriente Médio e pressiona economia global; veja linha do tempo Da ameaça de destruir a civilização no Irã ao cessar-fogo: as 10 horas em que Trump pôs o mundo em suspense

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/08/netanyahu-diz-que-cessar-fogo-nao-inclui-libano.ghtml


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