Novo primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar diz que pode assumir governo no início de maio
15/04/2026
(Foto: Reprodução) Péter Magyar, futuro primeiro-ministro da Hungria, reafirma que vai reaproximar o país da UE
Jornal Nacional/ Reprodução
O líder da oposição húngara e vencedor das eleições, Péter Magyar, afirmou nesta quarta-feira (15) que o presidente do país indicou que o novo governo pode tomar posse na primeira semana de maio. O prazo acelerado marcaria o fim dos 16 anos de Viktor Orbán no poder.
Após a vitória expressiva do partido de centro-direita Tisza nas eleições de domingo (12), com dois terços das cadeiras no Parlamento, Magyar tem pressionado para que a transição ocorra o mais rápido possível. Pela lei húngara, a sessão inaugural do novo Parlamento — que deve eleger o primeiro-ministro — precisa acontecer até 12 de maio.
Depois de uma reunião reservada com o presidente Tamás Sulyok, Magyar disse a jornalistas, em frente ao palácio presidencial, que recebeu a garantia de que será indicado ao cargo de primeiro-ministro. Segundo ele, a sessão inaugural deve ocorrer nos dias 6 ou 7 de maio.
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“(O presidente) acha, e acho que todos acham, que é do interesse da nação húngara que, após um mandato tão expressivo dos eleitores, a mudança de governo e de regime aconteça o mais rápido possível”, afirmou.
Magyar prometeu promover uma ampla reforma na estrutura do governo e criar ministérios específicos para saúde, meio ambiente e educação, áreas que não tinham pastas próprias na gestão de Orbán.
Em sua primeira participação na emissora pública do país em quase dois anos, também nesta quarta, ele disse que pretende suspender os programas de notícias do canal — que, segundo ele, funcionam como porta-voz do partido Fidesz, de Orbán — até que haja condições de independência e imparcialidade.
“Um dos pontos-chave do nosso programa é que essa fábrica de mentiras vai acabar quando o governo do Tisza for formado”, declarou.
Os impactos da derrota de Orbán para a Europa
Magyar também pediu que o atual governo atue apenas de forma interina nas próximas semanas e evite decisões que possam prejudicar os interesses do país ou atrapalhar a nova gestão.
Ele afirmou ainda que solicitou ao presidente que renuncie após a formação do novo governo. Segundo Magyar, Sulyok disse que vai “considerar” o pedido.
“Repeti a ele que é indigno de representar a unidade da nação húngara e inapto para ser o guardião da lei”, disse.
Magyar acrescentou que, caso o presidente não renuncie, o novo governo pretende promover mudanças constitucionais para removê-lo “junto com todos os outros fantoches instalados pelo sistema de Orbán”.
Com a supermaioria de dois terços no Parlamento, o partido Tisza terá poder para alterar a Constituição e rever diversas políticas implementadas por Orbán.
Repercussão da eleição nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou ao canal ABC News que gosta do primeiro-ministro eleito da Hungria e acredita que ele "vai fazer um bom trabalho" após derrotar o nacionalista Viktor Orbán, apoiado por Washington.
"Acho que o novo líder vai fazer um bom trabalho; é um homem bom", disse Trump na terça-feira (14) ao correspondente da ABC News Jonathan Karl, que publicou as declarações na rede social X.
Na semana passada, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, visitou Budapeste para fazer campanha a favor de Orbán e elogiou o político de 62 anos como um "modelo" para a Europa.
A derrota de Orbán na Hungria é considerada um golpe para os nacionalistas em todo o mundo e um sinal de que o movimento trumpista perdeu apelo na Europa.
Também pode ser um indicador de que a proximidade com o presidente dos Estados Unidos é um fardo político.