O que é a superbomba lançada pelos EUA no Estreito de Ormuz
18/03/2026
(Foto: Reprodução) As bombas GBU-72 podem ser transportadas e lançadas tanto por aeronaves de caça quanto de bombardeio
U.S. Navy/ZUMA/IMAGO
Munição de penetração profunda GBU-72, de 2.300 kg, é conhecida como "bomba antibunker" e só explode quando alcança o alvo. Os militares dos EUA comunicaram na terça-feira (17) que atingiram posições de mísseis ao longo da costa do Irã, perto do estratégico Estreito de Ormuz, com algumas das bombas convencionais mais poderosas do seu arsenal.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
O ataque teve como alvo instalações subterrâneas que abrigavam mísseis de cruzeiro antinavio iranianos que representavam um risco para a navegação internacional no estreito, segundo os EUA.
Os militares americanos disseram terem lançado bombas de penetração profunda de 5.000 libras (2.300 kg). Um militar declarou à CNN que se trata das bombas GBU-72 Advanced 5K Penetrator.
Como é a bomba 'destruidora de bunkers' utilizada pelos EUA
Esse tipo de armamento, conhecido como “bomba antibunker”, é projetado para atingir estruturas altamente reforçadas, como instalações militares protegidas e bunkers subterrâneos, capazes de resistir a explosões convencionais.
O ataque aéreo americano ocorreu depois de o Irã ter fechado o estreito, por onde flui um quinto do petróleo mundial, em retaliação à guerra travada contra os EUA e Israel.
O que é a GBU-72?
A GBU-72 é uma evolução "substancialmente mais letal" de uma arma anterior, a GBU-28, e foi testada pelos militares americanos pela primeira vez em 2021.
Trata-se de uma bomba guiada de penetração, capaz de atravessar camadas espessas de concreto e alcançar bunkers subterrâneos antes de detonar. Ao explodir já abaixo da superfície, esse tipo de armamento tende a concentrar o impacto no alvo, reduzindo danos ao redor e ampliando a capacidade de destruição em profundidade.
Segundo a Força Aérea dos Estados Unidos, ela foi projetada para superar barreiras fortificadas e alcançar alvos profundamente enterrados, podendo ser transportada e lançada tanto por aeronaves de caça quanto de bombardeio.
A Força Aérea dos EUA não divulga a capacidade de penetração das bombas GBU-28 e GBU-72. Porém, o projeto original da GBU-28 supostamente previa a capacidade de penetrar mais de 45 metros de terra e pelo menos 4,5 metros de concreto armado, o que indica que a GBU-72 deve ter um desempenho superior a isso.
Além da maior letalidade, a bomba é também mais precisa por utilizar um kit de orientação conhecido como Joint Direct Attack Munition (JDAM), que basicamente converte bombas não guiadas em munições guiadas de precisão para todos os climas, com o uso de um receptor GPS.
O uso desse sistema, em vez da orientação a laser da GBU-28, permite realizar ataques aéreos em qualquer condição climática. Nuvens, fumaça e outros elementos de obscurecimento podem impedir o uso de armas guiadas a laser.
"Ela foi criada para substituir a GBU-28, que é outra penetradora poderosa, mas esta é guiada por GPS em vez de laser, então, faça chuva, sol ou neve, você vai atingir o alvo", explicou o sargento Zachary Schaeffer, do 57º Esquadrão de Munições, num vídeo divulgado pela Força Aérea dos EUA.
O custo estimado da GBU-72 é de 288 mil dólares por unidade.
GBU-57: Ainda mais poderosa
A bomba GBU-72 é menos potente do que a GBU-57 Massive Ordnance Penetrator (MOP), de 30.000 libras (13.600 kg), lançada pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas em Fordo, Natanz e Isfahan em junho de 2025.
A GBU-57 mede seis metros e pesa 13,6 toneladas. Ela é tão pesada que o bombardeiro furtivo B-2 Spirit é a única aeronave capaz de transportá-la e usá-la. Essa bomba utiliza a força do seu próprio peso, acelerada pelo lançamento de uma grande altitude.
A GBU-57
U.S. Air Force/AP Photo/picture alliance
Acredita-se que os Estados Unidos tenham apenas um pequeno número dessas bombas. Até setembro de 2011, a fabricante Boeing havia entregue apenas 20 unidades. Desde então, no entanto, há registros de novos pedidos feitos pelas Forças Armadas americanas.
O projeto inicial previa que a GBU-57 era capaz de penetrar até 18 metros (60 pés) para atingir o alvo. Em 2007, a Força Aérea afirmou que essa capacidade havia sido ampliada para até 60 metros (200 pés).
Os ataques no Irã representaram o primeiro uso em combate dessa bomba.