Política restritiva de vistos patrocinada por Trump afasta turistas da Copa e abala setor hoteleiro nos EUA

  • 10/06/2026
(Foto: Reprodução)
Árbitro somali escalado para Copa do Mundo tem entrada nos EUA negada pelo governo Trump A Copa do Mundo só começa na quinta-feira, mas já acusou um perdedor nos EUA — o setor hoteleiro, que registra taxas de ocupação em queda nas 11 cidades-sede do país. As expectativas são pessimistas, sobretudo se comparadas às outras 5 cidades no México e no Canadá, que também hospedam os jogos e ostentam um fluxo maior de reservas de hotéis. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Este cenário é creditado, em boa parte, à política restritiva de vistos e imigração do governo Trump, que vem afastando o torcedor de futebol oriundo de países visados pelos EUA, levando-o a desviar a rota para os outros dois países anfitriões do Mundial. Das 48 seleções que competem, as delegações de Haiti e Irã enfrentam proibições de entrada no país. Costa do Marfim e Senegal estão sujeitos a restrições parciais, enquanto outros times postergaram as viagens por dificuldades na obtenção de vistos. O torneio ainda não começou, mas os incidentes hostis patrocinados pela segurança de aeroportos americanos ganham destaque. Apontado pela Fifa como o melhor juiz da África, o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi barrado pela imigração, após ser interrogado por 11 horas, e não apitará na Copa. O atacante iraquiano Aymen Hussein ficou retido sete horas no Aeroporto Internacional O’ Hare, em Chicago. O setor de segurança alegou que confundiu o herói da seleção iraquiana com outra pessoa. O temor de enfrentar a revista rigorosa nos aeroportos americanos e ser deportado desmotiva o turista. De acordo com a empresa CoStar, que analisa dados no setor hoteleiro, Vancouver, no Canadá, e Guadalajara, no México, são as cidades mais procuradas, com 48% das vagas de hotéis preenchidas. Nas cidades americanas, o desempenho é considerado decepcionante e, à exceção de Los Angeles, a ocupação não atinge a marca dos 40%. Cerca de 80% dos proprietários entrevistados em uma pesquisa da Associação de Hotéis e Hospedagem (AHLA na sigla em inglês) relataram que as reservas de hotéis ficaram abaixo das previsões iniciais. Setenta por cento afirmaram que as restrições de vistos e as preocupações geopolíticas reduziram significativamente a demanda internacional de turistas. "Uma série de fatores moderou o otimismo inicial, embora indicadores mostrem que ainda há oportunidades significativas pela frente. Para concretizar esse potencial, os EUA e a Fifa devem garantir uma experiência acolhedora e tranquila para os viajantes estrangeiros", pondera a presidente da AHLA, Rosanna Maietta. Outros fatores, como o preço exorbitante de ingressos e custos de transportes, contribuíram para afastar o turista do torneio. A queda no setor turístico começou a ser detectada no início do segundo mandato de Trump na Casa Branca, a partir da proibição de entrada de cidadãos de 39 países e a interrupção de vistos de imigração em 75 países. Esta política restritiva se impôs diante da Fifa, que comanda o torneio, mas se vê inoperante para contornar as barreiras nas fronteiras erguidas pelo governo Trump. LEIA TAMBÉM: A Copa das grandes distâncias: Mundial terá sedes a 4.500 km de distância uma da outra; MAPAS "O troféu da Copa do Mundo é para os vencedores; é por isso que você pode segurá-lo", disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a Donald Trump. CNP/ADM/Capital Pictures/picture alliance via DW

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/blog/sandra-cohen/post/2026/06/10/politica-restritiva-de-vistos-patrocinada-por-trump-afasta-turistas-da-copa-e-abala-setor-hoteleiro-nos-eua.ghtml


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