Por que a China devolveu cargas de soja do Brasil e uma grande exportadora cancelou embarques

  • 18/03/2026
(Foto: Reprodução)
Colheita de soja no Piauí. Divulgação Nos últimos dias, a China devolveu cargas de soja enviadas pelo Brasil que descumpriram regras sanitárias do país, enquanto a Cargill – uma das maiores exportadoras de grãos – cancelou embarques para o parceiro asiático no dia 12 deste mês. Principal destino da soja brasileira, a China responde por cerca de 80% das exportações do produto. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Cerca de 20 navios brasileiros foram devolvidos pela China recentemente por apresentarem grãos de soja misturados a ervas daninhas proibidas no país asiático. Diante da situação, representantes do Ministério da Agricultura devem viajar à China na próxima semana para tratar do tema. Na terça-feira (17), o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro, disse em coletiva de imprensa que a qualidade da soja brasileira “é inquestionável”, mas que a preocupação dos chineses é legítima. Ele afirmou ainda que vai propor à China a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio de soja. Quando a pressão começou Apesar de o caso ter ganhado repercussão nos últimos dias, a situação não é nova, afirma Raphael Bulascoschi, analista do mercado de soja da StoneX Brasil. "O problema começou no final do ano passado, quando o GACC, órgão responsável pela fiscalização na China, informou ao governo brasileiro que carregamentos estavam chegando com excesso de sementes proibidas e materiais estranhos", diz Bulascoschi. "Recentemente, a China voltou a cobrar o Ministério da Agricultura de forma mais dura, o que levou o governo a adotar uma 'postura de tolerância zero' para evitar tensões diplomáticas e a emitir certificados fitossanitários com mais rigor", acrescenta. Na prática, diz ele, o Ministério passou a fazer inspeções mais frequentes e deixou de emitir certificados para carregamentos que não cumprem as exigências. "Sem esse certificado, as empresas ficam impedidas de entregar a carga na China e de receber o pagamento", explica. Interrupção da Cargill Segundo Bulascoschi, foi nesse contexto que a Cargill decidiu interromper as exportações para a China. O g1 procurou a companhia, que informou que suas entidades representativas — a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) — publicariam uma nota conjunta. No entanto, as entidades não têm dado explicações. Na nota conjunta, publicada na quinta-feira (12), disseram apenas que acompanham "de forma atenta" os "recentes desdobramentos" das exportações de soja. (veja no final da reportagem) O Ministério da Agricultura disse ao g1 que se reuniu com as principais tradings (comercializadoras de grãos) e associações do país e que, juntos, atuam para "superar eventuais dificuldades" e "assegurar os elevados padrões de qualidade dos produtos brasileiros". Fávaro ressaltou que, após essa reunião, nenhuma regra de inspeção foi flexibilizada. Ele disse isso após rumores de que o governo teria afrouxado normas. Segundo o ministro, se tivesse ocorrido um “alívio” da parte do ministério, “os navios estavam navegando”, em referência a embarcações que não tiveram o certificado. Impacto para as exportações Analistas da Hedgepoint Global Markets avaliam que o caso é pontual e não deve afetar o volume de soja exportado para a China. "A fila de navios nos portos brasileiros continua forte, com cerca de 17 milhões de toneladas de soja, sendo 10 milhões destinadas à China", afirma Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado. "Até agora, não há registro de atrasos relevantes na saída de navios, o que indica que se trata de ajustes pontuais no processo de inspeção das cargas", acrescentou. Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado de Grãos e Oleaginosas da Hedgepoint Global Markets, afirma que 20 navios com cargas de soja representam entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas. "É pouco diante das 112 milhões de toneladas que o Brasil deve exportar no total no ano", conclui. Nota da Abiove e da Anec "A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) informam que estão acompanhando, de forma atenta e com preocupação, os recentes desdobramentos relacionados aos embarques de soja destinados ao mercado chinês. Diante desse cenário, a ABIOVE e a ANEC reafirmam que seguem atuando de forma colaborativa e mantendo diálogo constante com as autoridades competentes e com as demais entidades da cadeia produtiva para buscar soluções que garantam a fluidez do comércio, a previsibilidade das operações, prezando pela segurança jurídica e fortalecimento das relações comerciais internacionais e pela garantia dos requisitos de fitossanidade." Como a guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil

FONTE: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/03/18/por-que-a-china-devolveu-cargas-de-soja-do-brasil-e-uma-grande-exportadora-cancelou-embarques.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Lembrar De Nós Assim

Banda Raneychas

top2
2. DOIDO DOIDO

Guilherme Silva

top3
3. SÓ LIGUEI PRA DIZER QUE TE AMO

ALINE SILVA

top4
4. Por Tua Causa

Rasta Chinela

top5
5. Ô Garçom

Klessinha

Anunciantes