Posição estratégica, venda de armas e chips: Por que Taiwan é tão importante para EUA e China

  • 14/05/2026
(Foto: Reprodução)
Por que Taiwan é tão importante na disputa de poder entre EUA e China Começou ontem (13) e deve ir até sexta-feira (15) a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim. Entre os assuntos discutidos, uma pequena ilha deve ser uma das principais pautas entre as duas potências: Taiwan. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Localizada ao sul da China, a ilha um dos territórios mais sensíveis do atual cenário geopolítico mundial — e um dos mais estratégicos para potências mundiais. A China considera Taiwan uma província “rebelde” e afirma que a ilha faz parte de seu território. Já os Estados Unidos, embora não reconheçam formalmente a independência taiwanesa, atuam para preservar a autonomia da região. Trump afirmou nesta segunda-feira (11) que pretende discutir com Xi Jinping a venda de armas americanas para a ilha, tema que irrita Pequim há anos. Segundo ele, “Taiwan sempre aparece durante as conversas com a China”. A seguir, entenda por que Taiwan é tão importante para China e EUA. ➡️​Localização estratégica e disputa histórica Taiwan g1/Alberto Correa Taiwan fica em uma posição considerada estratégica no centro das rotas marítimas e militares da Ásia. “Para os Estados Unidos, Taiwan funciona como um pilar estratégico para conter a expansão militar chinesa na região do Indo-Pacífico e preservar o equilíbrio regional construído pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial”, explica o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin. Segundo ele, a ilha ocupa uma posição decisiva na chamada “primeira cadeia de ilhas”, um arco estratégico que vai do Japão até as Filipinas e limita o acesso da marinha chinesa ao Oceano Pacífico. “Se a China controlasse Taiwan, teria maior facilidade para projetar poder naval e aéreo sobre rotas marítimas fundamentais”, afirma. A ilha tem cerca de 23 milhões de habitantes e funciona, na prática, como um Estado independente: possui Constituição própria, governo eleito democraticamente, Forças Armadas e passaportes próprios. Apesar disso, é reconhecida oficialmente como país por apenas 12 nações. O Brasil e os EUA, por exemplo, não fazem parte desse grupo. Nas últimas décadas, China e Taiwan mantiveram uma espécie de equilíbrio: Pequim evitava uma invasão direta, enquanto Taipei não declarava independência formal. Mas a tensão aumentou nos últimos anos, especialmente sob o governo Xi Jinping e após a posse de Lai Ching-te, em 2024. Desde então, a China ampliou exercícios militares ao redor da ilha e intensificou a pressão diplomática para isolar Taiwan. ➡️ Coração da fabricação de chips Para além da localização, Taiwan também ocupa um papel central na economia mundial por causa da fabricação de semicondutores, os chamados chips. Eles são usados em celulares, computadores, carros, aviões, cartões bancários, eletrodomésticos e sistemas de inteligência artificial. Embora os EUA abriguem gigantes da tecnologia como Apple, Amazon e Microsoft, a maior parte dos chips mais avançados do planeta é fabricada em Taiwan. A ilha produz cerca de 90% dos semicondutores mais sofisticados do mundo, segundo o The New York Times. Por isso, uma eventual interrupção da produção teria impacto global. “Se aquela ilha for bloqueada e essa capacidade for destruída, será um apocalipse econômico”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, de acordo com o jornal norte-americano. Fábrica de chips da TSMC, a maior produtora do mundo no setor, sediada em Taiwan Taiwan Semiconductor Manufacturing Co., Ltd. Taiwan investiu no ramo a partir dos anos 70, deixando de ser uma região conhecida pela produção agrícola e se transformando no centro de exportação dos chips mais avançados do mundo. A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), maior fabricante de chips do mundo, fica na ilha. A empresa fornece componentes para gigantes como Apple e Nvidia, responsável por chips usados em sistemas de inteligência artificial. O domínio taiwanês se tornou ainda mais estratégico em meio à corrida global pela liderança em inteligência artificial. “A China vem se aproximando da vanguarda tecnológica, e isso gera preocupação nos Estados Unidos, que ainda dependem do know-how de Taiwan”, afirma Brustolin. Por isso, Taiwan se tornou não apenas um ponto de disputa territorial, mas também uma peça-chave na corrida tecnológica e militar entre China e Estados Unidos. ➡️​ Venda de armas e apoio militar dos EUA Taiwan testa sistema de lançamento de mísseis fornecido pelos EUA REUTERS / AGÊNCIA DE NOTÍCIAS MILITAR DE TAIWAN Embora não mantenham relações diplomáticas formais com Taiwan, os EUA são o principal aliado internacional da ilha e seu maior fornecedor de armas. A relação é baseada na chamada Lei de Relações com Taiwan, aprovada pelo Congresso dos EUA em 1979. A legislação regula a relação não oficial entre EUA e a ilha e permite que Washington forneça equipamentos “defensivos” para garantir a segurança da ilha. Ao mesmo tempo, os EUA reconhecem oficialmente a política de “Uma Só China”, segundo a qual Pequim é o único governo chinês legítimo. Isso criou uma situação chamada de “ambiguidade estratégica”: Washington não afirma claramente se defenderia Taiwan em caso de invasão chinesa, mas também não descarta essa possibilidade. “Existe uma ambiguidade dos Estados Unidos em relação a Taiwan. Ao mesmo tempo em que reconhecem a soberania chinesa, os EUA se reservam o direito de fornecer armas para Taiwan e até defender a ilha”, explica Brustolin. Nos últimos anos, porém, o apoio militar americano aumentou. No primeiro governo Trump, os EUA venderam mais de US$ 18 bilhões em armamentos para Taiwan, segundo centro de pesquisas norte-americano o Council on Foreign Relations. Em dezembro de 2025, Taiwan aprovou um pacote de US$ 11,1 bilhões para a compra de armas dos EUA, incluindo sistemas de foguetes Himars, mísseis antitanque Javelin, drones e peças militares. A China reagiu imediatamente e realizou novos exercícios militares ao redor da ilha. Em outras ocasiões, Pequim já afirmou que as manobras servem como “aviso aos separatistas”. China mobiliza quantidade recorde de navios de guerra e deixa Japão e Taiwan em alerta Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30). Reuters/Evelyn Hockstein

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/14/posicao-estrategica-venda-de-armas-e-chips-por-que-taiwan-e-tao-importante-para-eua-e-china.ghtml


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