Presidente da Alemanha diz que EUA estão destruindo a ordem mundial e cita Brasil como país que pode proteger estabilidade
08/01/2026
(Foto: Reprodução) Presidentes da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, e dos Estados Unidos, Donald Trump.
REUTERS/Annegret Hilse/Jonathan Ernst
O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, disse que os Estados Unidos de Donald Trump estão destruindo a ordem mundial e pediu que o mundo não se torne um "covil de ladrões em que os poderosos tomam tudo o que querem".
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Steinmeier fez diversas críticas à política externa do governo Trump durante fala em um simpósio na Alemanha na quarta-feira (7). Suas críticas ocorrem dias após a deposição do ditador venezuelano Nicolás Maduro via operação militar dos EUA e em meio a uma escalada de tensões entre o governo Trump e a Europa por conta da Groenlândia, ilha pertencente à Dinamarca que o presidente norte-americano quer incorporar aos EUA.
“Hoje, há a quebra de valores por parte do nosso parceiro mais importante, os EUA, que ajudaram a construir essa ordem mundial (...) Trata-se de impedir que o mundo se transforme em um covil de ladrões, onde os mais inescrupulosos tomam tudo o que querem, onde regiões ou países inteiros são tratados como propriedade de algumas poucas grandes potências”, afirmou Steinmeier.
O presidente alemão disse também que a democracia global está sendo atacada como nunca antes e citou o Brasil ao dizer que é necessária "intervenção internacional ativa em situações de ameaça". "Países como Brasil e Índia precisam ser convencidos a proteger a ordem mundial", afirmou.
A fala de Steinmeier foi considerada como incomum, porque ele trata de assuntos internos na Alemanha e assuntos externos ficam a cargo do chanceler Friedrich Merz. Ele citou a anexação da Crimeia pela Rússia e a invasão em larga escala da Ucrânia como um ponto de inflexão histórico e disse que o comportamento dos Estados Unidos representa uma segunda ruptura histórica.
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Trump: EUA vão 'administrar' Venezuela 'por muitos anos'
Decisão de Trump de vender barris de petróleo da Venezuela derruba cotação do óleo
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu governo deve seguir "administrando" a Venezuela e extraindo petróleo das reservas do país latino-americano "por muitos anos".
Trump fez a declaração em uma entrevista ao jornal "The New York Times", publicada nesta quinta-feira (8). Ele disse ainda que, por enquanto, o governo interino da Venezuela, assumido pela vice-presidente de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, "está nos dando tudo o que consideramos necessário".
"Só o tempo vai dizer", disse o presidente norte-americano, ao ser questionado sobre quantos anos a ingerência de Washington sobre Caracas vai durar.
“Mas vamos reconstrur a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso", afirmou Trump na entrevista.
Trump expulsa organizações
Donald Trump durante evento com republicanos, em janeiro de 2026
NICOLE COMBEAU/POOL/EPA/Shutterstock
Na quarta-feira (7) uma proclamação retirando os Estados Unidos de 35 organizações não pertencentes às Nações Unidas e de 31 entidades da ONU.
Segundo um comunicado da Casa Branca, a saída dos organismos ocorre porque, segundo Washington, eles "operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA".
A maioria dos alvos são agências, comissões e painéis consultivos ligados à ONU que se concentram em questões climáticas, trabalhistas e outras que o governo Trump classificou como voltadas para iniciativas de diversidade e "woke".
Entre elas, estão: Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres); Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC); Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD); Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)
O governo Trump já havia suspendido o apoio a agências como a Organização Mundial da Saúde, a UNRWA (Agência das Nações Unidas para a Refugiados da Palestina), o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO (Agência das Nações Unidas para a Cultura)
O republicano passou a adotar uma abordagem mais seletiva para o pagamento de suas contribuições à ONU, escolhendo quais operações e agências considera alinhadas à agenda de Trump e quais não servem mais aos interesses dos EUA.
“Acho que o que estamos vendo é a cristalização da abordagem dos EUA ao multilateralismo, que é ‘ou do meu jeito ou nada feito’”, disse Daniel Forti, analista sênior da ONU no International Crisis Group. “É uma visão muito clara de querer cooperação internacional nos termos de Washington.”
Isso representa uma grande mudança em relação à forma como administrações anteriores — tanto republicanas quanto democratas — lidaram com a ONU, e forçou a organização, que já passava por sua própria reestruturação interna, a responder com uma série de cortes de pessoal e programas.
Muitas organizações não governamentais independentes — algumas que trabalham com as Nações Unidas — relataram o encerramento de diversos projetos em decorrência da decisão do governo americano, no ano passado, de cortar drasticamente a ajuda externa por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), encerrada por Trump.