Primeiro-ministro britânico reconhece erro ao nomear amigo de Jeffrey Epstein
20/04/2026
(Foto: Reprodução) Keir Starmer
REUTERS/Jaimi Joy
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse nesta segunda-feira (20) ter cometido um erro de avaliação ao nomear Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido em Washington. A informação é da AP.
Starmer participou de audiência no Parlamento para responder sobre a nomeação de Mandelson, amigo de Jeffrey Epstein e citado no escândalo. Mandelson não passou em verificações de segurança para assumir o cargo.
Ao Parlamento, Starmer afirmou que não teria nomeado Mandelson se soubesse das ressalvas. O diplomata foi demitido após nove meses no cargo, quando se soube da amizade dele com Epstein.
"No centro de tudo isto, há uma decisão que tomei e que foi errada. Eu não deveria ter nomeado Peter Mandelson", disse Starmer perante o Parlamento, noticiou a AFP.
"Assumo a responsabilidade por essa decisão e volto a apresentar as minhas desculpas às vítimas de Epstein."
Starmer atribuiu a responsabilidade de o informar ao Ministério das Relações Exteriores. De acordo com a AP, o primeiro-ministro disse que o fato de haver ressalvas a Mandelson "poderia e deveria ter sido compartilhado" com ele antes de o embaixador assumir o cargo".
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Ao Parlamento, Starmer disse que houve uma "decisão deliberada de reter esse material", em relação ao parecer desfavorável a Mandelson. "Não foi por falta de perguntas. Não foi um descuido. Foi uma decisão de não compartilhar essa informação em ocasiões reiteradas", disse, de acordo com a AFP.
Pressão pela renúncia
Os principais partidos da oposição pediram a renúncia de Starmer, informou a AP. A líder do Partido Conservador, de centro-direita, Kemi Badenoch, afirmou que o primeiro-ministro "enganou o Parlamento sobre Mandelson, enganou o país e está fazendo o público de bobo". Starmer negou que tenha enganado o Parlamento.
Ed Davey, líder do partido da oposição Liberal Democrata, afirmou que Starmer cometeu "um erro de julgamento catastrófico".
Durante a audiência dessa segunda-feira, dois deputados foram expulsos por acusar o primeiro-ministro de mentir.
Na defesa de Starmer, o vice-primeiro-ministro David Lammy disse que o primeiro-ministro "jamais" teria nomeado Mandelson embaixador se tivesse todas as informações em mãos.
Os parlamentares do Partido Trabalhista, o partido de Starmer, se mostram preocupados com os baixos índices de aprovação do político. Em 7 de maio, o Reino Unido tem eleições locais e regionais.
Starmer chegou ao poder com a vitória do Partido Trabalhista em julho de 2024. Desde então, vem enfrentando dificuldades para alcançar o crescimento econômico prometido, reparar serviços públicos e aliviar o custo de vida.
Alertas ignorados
De acordo com a AP, críticos do primeiro-ministro dizem que ele escolheu Mandelson para um dos cargos diplomáticos mais importantes da Grã-Bretanha apesar de ter sido alertado por sua equipe do risco reputacional de nomear um amigo de Epstein.
Jeffrey Epstein foi condenado por crimes sexuais e morreu na prisão em 2019.
Starmer demitiu Mandelson em setembro de 2025, após surgirem evidências de que ele havia mentido sobre a extensão de seus laços com Epstein.
O ex-embaixador britânico nos EUA, Peter Mandelson, no dia 14 de fevereiro, após começar a ser investigado
REUTERS/Chris Ratcliffe
Documentos do caso Epstein incluíam e-mails que sugeriam que Mandelson havia repassado para Epstein informações governamentais sensíveis e com potencial para influenciar o mercado em 2009.
Essa suspeita, após uma investigação da polícia britânica, fez com que Mandelson fosse preso em fevereiro, sob suspeita de má conduta em cargo público. Ele nega as acusações.