Quais os pontos ainda a esclarecer do acordo entre EUA e Irã

  • 16/06/2026
(Foto: Reprodução)
EUA e Irã assinam pré-acordo pelo fim da guerra, diz agência Estados Unidos e Irã, que estavam em guerra desde o fim de fevereiro, anunciaram no fim de semana que chegaram a um acordo para encerrar o conflito. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O anúncio não significa, porém, o fim automático da guerra. O acordo prevê, inicialmente um cessar-fogo — ou seja, uma trégua nos ataques, e não o fim definitivo deles. Esse cessar-fogo duraria enquanto as duas partes discutem o ponto-chave das tratativas, ainda em aberto: o futuro do programa nuclear iraniano. Outras questões, como a navegação no Estreito de Ormuz e a compensação financeira do Irã, não estão completamente esclarecidas até o momento. A íntegra do acordo será conhecida na sexta-feira (19), quando haverá uma cerimônia para assinatura do documento em Genebra, na Suíça. Veja, abaixo, as questões ainda em aberto do acordo: Programa nuclear iraniano Esse é o ponto-chave das tratativas, ainda em aberto. O acordo que será assinado na sexta-feira prevê, segundo Teerã, que negociadores dos dois lados chegarão a um consenso em um prazo de até 60 dias. O governo Trump quer que Irã encerre por completo seu programa nuclear, que Washington diz servir para criar armas nucleares — este foi, inclusive, o principal argumento de Trump para atacar o Irã em 28 de fevereiro, dando início à guerra. Trump disse que sua equipe de negociadores exigiu que uma equipe independente entre no Irã e escave todo o material nuclear e envie o urânio já enriquecido em território iraniano para fora do país, possivelmente para a Rússia, que já se ofereceu para receber o material. Teerã, no entanto, nega e diz que o programa é usado exclusivamente para fins civis. O tema é espinhoso, e Washington e Teerã estão longe de um consenso. Estreito de Ormuz Europa celebra acordo entre EUA e Irã, mas faz alerta sobre armas nucleares Reprodução/TV Globo Tanto Washington quanto Teerã disseram que o Estreito de Ormuz, que se tornou o grande ponto de tensão da guerra, será reaberto de forma imediata. Da mesma forma, Donald Trump afirmou já ter ordenado o levantamento do bloqueio naval que navios da Marinha dos EUA fazem na entrada do estreito, impedindo a passagem de navios que comercializem com portos iranianos na região. Mas o consenso termina por aí: na segunda-feira (15), Trump disse inclusive que o tráfego de navios no canal já havia começado a se mexer após o anúncio. Mas o Irã, que controla, na prática, a movimentação de navios em Ormuz, não confirmou. O Ministério da Defesa do Irã também anunciou que passará a cobrar uma "taxa de serviço" aos navios que cruzarem o estreito, apesar de Donald Trump ter afirmado que o acordo proíbe a instauração de um pedágio no tráfego local de embarcações. Além disso, o Irã posicionou minas navais no estreito como forma de controlar a passagem — a localização dos artefatos é desconhecida, porém, até por Teerã. Uma varredura completa para desativar todos os explosivos poderia demorar até 50 dias. Antes disso, por imposição das seguradoras e operadoras de cargas marítimas, a navegação no estreito ainda seria inviável. Sanções ao Irã e compensação financeira Entre as exigências publicadas pelo Irã para o fim do conflito, está a suspensão das sanções sobre a venda de petróleo, produtos petroquímicos e derivados, e acesso total do Irã aos seus recursos financeiros que se encontram congelados. Os EUA concordaram em relaxar e aliviar as sanções econômicas, mas de forma gradativa e condicionada ao cumprimento do acordo. O objetivo de Teerã é conseguir restabelecer a exportação de petróleo para recuperar sua economia severamente castigada por mais de três meses de conflito. O Irã também quer que EUA e aliados apresentem um plano de reconstrução para o país no valor de pelo menos US$ 300 bilhões, a título de compensação dos estragos provocados pela guerra. Washington não fez comentários a esse respeito. Conflito e ocupação no Líbano Este é um dos pontos onde há menos consenso, pelo menos entre Israel e as outras partes. O anúncio oficial do acordo feito pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, destacou que o encerramento permanente das operações militares inclui a frente no Líbano. O fim dos ataques de Israel em território libanês é inclusive uma exigência direta de Teerã para assinar o acordo. Isso porque o Irã é aliado e financia o Hezbollah, alvo dos ataques de Israel no Líbano. O grupo terrorista atacou o território israelense dias após o início do conflito, a título de retaliação, quando EUA e Israel bombardearam o Irã. Na segunda-feira, Benjamin Netanyahu disse que suas tropas permanecerão nas "zonas de segurança", espaços ocupados por Israel dentro do território libanês, "até que seja necessário". Não se sabe se o acordo prevê alguma concessão militar israelense em relação às tropas estacionadas no país vizinho.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/16/quais-os-pontos-ainda-a-esclarecer-do-acordo-entre-eua-e-ira.ghtml


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