Risco-país da Argentina cai para o menor nível em quase 8 anos
27/01/2026
(Foto: Reprodução) Javier Milei vota nas eleições legislativas da Argentina
REUTERS/Cristina Sille
O risco-país da Argentina caiu abaixo dos 500 pontos-base nesta terça-feira (27) e atingiu o menor nível em quase oito anos — um patamar que abre espaço para o governo avaliar um possível retorno aos mercados internacionais de crédito.
Segundo analistas, a compra diária de dólares pelo Banco Central da República Argentina (BCRA), a valorização dos títulos da dívida pública e o apoio político ao presidente ultraliberal Javier Milei contribuíram para o bom desempenho dos mercados financeiros.
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Por volta das 14h (horário de Brasília), o indicador marcava 499 pontos-base, abaixo dos 510 pontos da véspera.
O avanço superou um patamar que vinha segurando a queda nas sessões anteriores e reforçou a tendência de recuo em direção aos 450 pontos-base — nível próximo ao registrado pelo Equador.
"Embora a taxa dos títulos dos Estados Unidos de 10 anos seja maior do que a registrada na última emissão internacional da Argentina, em 2018, o fato de o Equador ter recorrido recentemente ao mercado internacional faz com que investidores passem a se perguntar quando poderá ser a vez da Argentina", comentou Juan Manuel Franco, economista-chefe do Grupo SBS.
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"As taxas pelas quais o Equador conseguiu captar recursos — um país que enfrenta diversos fatores de risco nos últimos anos — foram de 8,75% e 9,25% para títulos com prazos de 8 e 13 anos, respectivamente. Por isso, não parece exagero pensar que a Argentina possa seguir esse caminho, embora acompanhemos de perto as condições do mercado", acrescentou.
A acumulação de reservas pelo BCRA será essencial para que os juros cobrados em uma eventual volta ao mercado internacional sejam os menores possíveis, avaliam analistas.
Em janeiro, a autoridade monetária já acumula compras de US$ 1,019 bilhão. Com a aquisição de US$ 39 milhões na véspera, as reservas internacionais alcançaram US$ 45,740 bilhões, segundo dados oficiais provisórios.
Esse cenário é sustentado pela emissão de títulos corporativos, pelos juros elevados em pesos e pela menor procura do setor privado por dólares. Para a corretora Cohen, é "fundamental manter o risco-país próximo dos 500 pontos-base".