Saída dos Emirados Árabes da Opep e Opep+: o que são os grupos e como eles podem afetar seu bolso
28/04/2026
(Foto: Reprodução) Vídeos em alta no g1
A decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Opep+ a partir de 1º de maio reacendeu o debate sobre o papel desses grupos no mercado global de petróleo — e sobre como suas decisões influenciam os preços da energia no mundo.
O anúncio foi confirmado pelo ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, que afirmou que a decisão foi tomada após uma revisão das estratégias energéticas dos Emirados Árabes.
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Dada a importância da decisão, o g1 explica como funcionam esses grupos, que reúnem alguns dos maiores produtores do mundo, e por que suas decisões podem influenciar os preços globais — inclusive em países como o Brasil.
O que você vai encontrar nesta reportagem:
O que é a Opep
O que é a Opep+
Como esses grupos influenciam o preço do petróleo
Como isso pode afetar os bolsos dos brasileiros?
O que é a Opep
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, conhecida como Opep, foi criada em 1960 por países produtores com o objetivo de coordenar a produção de petróleo e influenciar os preços no mercado internacional.
Hoje, os integrantes da organização respondem por cerca de 30% da produção mundial de petróleo. No grupo, no entanto, há grandes diferenças no volume produzido por cada país.
Dados do último Boletim Estatístico Anual da Opep mostram como a produção de petróleo se distribui entre os países-membros:
Arábia Saudita: 8,96 milhões de barris/dia
Iraque: 3,86 milhões de barris/dia
Irã: 3,26 milhões de barris/dia
Emirados Árabes Unidos: 2,92 milhões de barris/dia
Kuwait: 2,41 milhões de barris/dia
Nigéria: 1,35 milhão de barris/dia
Líbia: 1,14 milhão de barris/dia
Venezuela: 921 mil barris/dia
Argélia: 907 mil barris/dia
Congo: 260 mil barris/dia
Gabão: 224 mil barris/dia
Guiné Equatorial: 57 mil barris/dia
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O que é a Opep+
Em 2016, diante de um período de preços baixos do petróleo, a Opep ampliou a coordenação ao firmar parceria com outros grandes produtores. Dessa aproximação surgiu a Opep+, que reúne 23 países exportadores de petróleo.
Além dos integrantes da Opep, o grupo passou a incluir outros grandes produtores, como:
Rússia
Cazaquistão
Azerbaijão
Omã
Bahrein
Brunei
Malásia
Sudão
Sudão do Sul
México
Juntas, essas nações respondem por cerca de 40% da produção global de petróleo.
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Como esses grupos influenciam o preço do petróleo
Os países da Opep e da Opep+ se reúnem regularmente para decidir quanto petróleo será colocado no mercado internacional. A ideia é ajustar a oferta à demanda global.
Quando a procura por petróleo cai, o grupo pode reduzir a produção, diminuir a oferta e ajudar a sustentar os preços.
Em momentos de maior demanda, também pode aumentar a produção, o que tende a aliviar pressões sobre o mercado.
Por isso, mudanças na composição desses grupos — como a saída dos Emirados Árabes Unidos — são acompanhadas de perto por investidores e governos, já que podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo no mundo.
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Como isso pode afetar os bolso dos brasileiros?
Mudanças na Opep e na Opep+ costumam ser acompanhadas de perto pelos mercados porque podem influenciar o preço do petróleo no mundo — e isso, por consequência, tende a repercutir no custo dos combustíveis em diferentes países, incluindo o Brasil.
Isso ocorre porque o valor do barril é um dos fatores considerados pela Petrobras ao definir os preços de produtos como gasolina, diesel, gás natural e gás de cozinha (GLP) no mercado interno.
Ainda assim, é cedo para medir qual será o impacto concreto da saída dos Emirados Árabes Unidos nos preços no país.
Primeiro, será preciso observar se a reação do mercado representa apenas uma oscilação momentânea ou se o movimento pode alterar de forma mais duradoura o equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo.
Além disso, o preço pago pelos consumidores brasileiros depende de outros fatores além do petróleo internacional. Entre eles estão a cotação do dólar, a política de preços adotada pela Petrobras e o nível de impostos que incidem sobre os combustíveis.
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Logo da Opep durante reunião informal de membros da organização em Argel, capital da Argélia, nesta quarta-feira (28)
Reuters/Ramzi Boudina