Tarifaço de Trump entra em vigor nesta terça; relembre os fatos e entenda efeitos da taxa de 15%

  • 24/02/2026
(Foto: Reprodução)
Tarifaço de Trump: entenda as mudanças e como ficam as cobranças para o Brasil A nova tarifa global de 15% sobre produtos importados pelos Estados Unidos passa a valer nesta terça-feira (24). A medida foi instituída pelo presidente dos EUA, Donald Trump, após a Suprema Corte derrubar parte do tarifaço aplicado a mais de 180 países em abril. Duas alterações importantes entram em vigor às 00h01 (horário de Washington). A primeira é que a decisão da Suprema Corte anula todas as tarifas aplicadas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A segunda é que a nova tarifa global de 15% passa a valer no mesmo horário, com uma ampla lista de produtos isentos. Nesta reportagem, o g1 relembra os acontecimentos mais marcantes desde sexta-feira, explica os efeitos das decisões e mostra como fica o Brasil nessa história. Veja abaixo, por tópicos, o que há de mais importante sobre o novo tarifaço. Como tudo começou? Como Trump reagiu? Como os 10% viraram 15%? Por que produtos ficaram isentos da tarifa? Como fica o Brasil nessa história? Como foi a reação do governo brasileiro? O que esperar agora? Como foi o histórico do tarifaço de Trump ao Brasil? Como tudo começou? Na sexta-feira (20), a Suprema Corte dos EUA decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações a quase todos os parceiros comerciais dos EUA, o chamado "tarifaço". Por 6 votos a 3, a maioria dos ministros concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Trump argumentava que poderia adotar esse tipo de medida em situações excepcionais. ⚖️ O caso entrou na Justiça em meados de 2025, com uma ação apresentada por empresas impactadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, que questionaram o uso da lei para impor tarifas de importação de forma unilateral. O processo chegou à Suprema Corte por meio de recursos apresentados pelo governo Trump. Na prática, a decisão derrubou as chamadas “tarifas recíprocas” de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos EUA com base na IEEPA. As tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio não foram afetadas, pois foram aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, voltada à segurança nacional. Saiba mais na reportagem abaixo. Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump Volte ao índice. Como Trump reagiu? Imediatamente após o parecer da Suprema Corte, Trump classificou a decisão como “uma vergonha” e disse ter “um plano B” para manter as tarifas sobre produtos importados. Mais tarde, informou que usaria outro instrumento legal — não mais a IEEPA — para aplicar uma tarifa global de 10%. Trump disse que ativaria a Seção 122 da legislação comercial dos EUA e a Seção 301. Seção 122 da Lei de Comércio: A lei permite aplicar tarifas de até 15% por um período de até seis meses em situações de desequilíbrio nas contas externas ou risco de desvalorização do dólar, sem necessidade de investigação formal. Após esse período, o Congresso precisa aprovar a prorrogação das medidas. Seção 301 da Lei de Comércio: Essa alternativa permite abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais por outros países. Se forem confirmadas, o governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração. O processo, porém, é mais lento, pois exige investigação formal e consulta pública, o que pode levar meses. Veja mais detalhes na reportagem. Trump anuncia tarifa global de 10% após Suprema Corte derrubar tarifaço Volte ao índice. Como os 10% viraram 15%? Já na noite de sexta-feira (20), a Casa Branca publicou o decreto que confirmava o fim do tarifaço anunciado em abril e formalizava a nova tarifa global de 10%, com base em uma nova lei e início previsto para esta terça-feira (24). Segundo a Casa Branca, as novas tarifas de 10% foram adotadas para corrigir desequilíbrios nos pagamentos internacionais, reduzir o déficit comercial e incentivar a produção americana. Mesmo os envios de baixo valor (os chamados “de minimis”, que eram isentos), passariam a ser cobrados sob a nova taxa temporária. No sábado, Trump anunciou que, após “uma análise completa e detalhada”, elevaria as tarifas globais de importação para 15%. Essa é a taxa máxima permitida pela Seção 122, que autoriza a aplicação de tarifas por até 150 dias antes de avaliação pelo Congresso. Saiba mais na reportagem abaixo. Trump diz que vai aumentar para 15% tarifa global de importação Volte ao índice. Por que produtos ficaram isentos da tarifa? Em outro documento, o governo americano detalhou que uma enorme lista de produtos ficaria isenta das novas tarifas anunciadas por Trump. bens do Canadá e do México que estejam em conformidade com o USMCA (Acordo EUA-México-Canadá); produtos agrícolas específicos, como carne bovina, tomates e laranjas; produtos farmacêuticos e seus ingredientes; minerais críticos, energia e certos eletrônicos; têxteis e vestuário de países do tratado CAFTA-DR (como Costa Rica e República Dominicana) com isenção de impostos. Veja abaixo a lista completa. Jackson Campos, especialista em comércio exterior, afirma que a decisão de Trump é estratégica e segue a lógica de manter a tarifa como instrumento de negociação com o menor custo interno possível. "O objetivo é calibrar a medida para gerar pressão comercial sem provocar danos relevantes à própria economia dos EUA", diz. "Ao isentar itens críticos, ele reduz o risco de repasse imediato aos preços domésticos, evita rupturas em cadeias produtivas integradas e preserva setores considerados estratégicos", acrescenta. Volte ao índice. Como fica o Brasil nessa história? Relembrando: a decisão da Suprema Corte anulou todas as tarifas aplicadas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). O Brasil era um dos países com as tarifas mais altas aplicadas por Trump nesse tarifaço, e agora são extintas duas taxas importantes: As chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado. A sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025. O especialista em comércio exterior Jackson Campos explica que, após a decisão do tribunal e o novo anúncio feito por Trump no sábado, o resultado final é uma sobretaxa de 15% sobre produtos brasileiros. “Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item, em vigor antes das medidas de 2025, acrescida do novo adicional temporário global de 15%”, afirma. Campos lembra ainda que as exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA continuam sujeitas a alíquotas de 50%, que se somam aos 15% recém-anunciados, mantendo elevado o custo desses insumos. Por outro lado, itens estratégicos da pauta comercial brasileira ficaram livres da sobretaxa de 15%. A lista inclui tanto commodities, como petróleo, quanto produtos manufaturados de maior valor agregado, caso das aeronaves e máquinas. Veja mais detalhes na reportagem abaixo. Tarifaço de Trump: veja quais produtos brasileiros ficam isentos a partir desta terça-feira Volte ao índice. Como foi a reação do governo brasileiro? O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi o primeiro a se manifestar e afirmou que o Brasil agiu "de forma impecável" enquanto vigorou o tarifaço. "O Brasil, em todos os momentos, se comportou diplomaticamente da maneira mais correta. Acreditou no diálogo, acreditou na disputa pelos canais competentes", disse. O vice-presidente Geraldo Alckmin, principal voz nas negociações com os EUA, classificou a decisão judicial como "muito importante para o Brasil" e destacou que a nova tarifa valerá para todos os países, o que coloca o Brasil em iguais condições de competitividade com seus concorrentes. Nesta segunda, Alckmin voltou a comentar o assunto e disse que o Brasil foi o país mais beneficiado com as mudanças nas tarifas. "Essa decisão de 15% não tem problema, porque 15% vale para nós e para o mundo inteiro. O país mais beneficiado foi o Brasil, porque ninguém tinha 50% a mais. Somos o país mais beneficiado com essa decisão", afirmou Alckmin. Saiba mais na reportagem abaixo. Alckmin diz que Brasil foi o 'país mais beneficiado do mundo' com novas medidas de Trump Volte ao índice. O que esperar agora? Segundo especialistas ouvidos pelo g1, os principais setores beneficiados pela decisão, no âmbito da pauta exportadora, são o agronegócio e setores industriais brasileiros. 🔎 A suspensão das tarifas permitirá que produtos como café solúvel, mel, pescados e frutas recuperem espaço e competitividade no mercado americano. Para o Brasil, a derrota do presidente americano abre espaço para a retomada das exportações, com preços mais previsíveis e menor pressão sobre o câmbio. Welber Barral, sócio da BMJ e ex-secretário de Comércio Exterior, acredita que a determinação da Justiça dos Estados Unidos, anterior ao novo anúncio de Trump, foi muito positiva para os exportadores que ainda estavam sobretaxados. "Teoricamente, iguala com os outros países e você tem uma possibilidade de aumento de competitividade desses setores. Como o Brasil estava com uma tarifa muito alta, de 40%, aumenta a competitividade", disse. Veja mais na reportagem abaixo. Nova tarifa de Trump para importações dos EUA entra em vigor; veja o que dizem analistas Volte ao índice. Como foi o histórico do tarifaço de Trump ao Brasil? Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 — instrumento separado do IEEPA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções. Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232. No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes. No dia seguinte, Trump anunciou que elevaria a tarifa de 10% para 15%. Saiba mais na reportagem abaixo. Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as tarifas para o Brasil Volte ao índice.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/02/24/tarifaco-de-trump-entra-em-vigor-nesta-terca-relembre-os-fatos-e-entenda-efeitos.ghtml


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