Trump diz que EUA foram 'estúpidos' por 'devolverem' Groenlândia após 2ª Guerra. História não foi bem assim
21/01/2026
(Foto: Reprodução) Navio dos EUA na Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial.
Arquivo Nacional dos EUA
Durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na manhã desta terça-feira (21), o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, comentou sobre a "ocupação" do país na Groenlândia durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945).
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Em meio a tensões com líderes europeus por conta de sua intenção de anexar a Groenlândia, Trump voltou a subir o tom: chamou a Dinamarca de "ingrata" e disse que "a Europa não está indo na direção correta".
"Colocamos bases militares na Groenlândia para defendê-la e salvá-la. Fortificamos a Dinamarca. Impedimos que os inimigos (alemães, durante a 2ª Guerra Mundial) conquistassem a Groenlândia. Demos a Groenlândia de volta para a Dinamarca, que ideia estúpida. E olha o quão ingratos eles são agora", disse.
Navio dos EUA na Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial.
Arquivo Nacional dos EUA
A Groenlândia foi posse dos EUA e 'devolvida' pelos EUA após a 2ª Guerra?
Na verdade, não. O que aconteceu, entre 1941 e 1945, foi uma ocupação militar dos EUA na ilha. A Groenlândia se tornou uma espécie de "protetorado" do país da América do Norte, depois que a Alemanha nazista ocupou a Dinamarca, em 1940.
Em 1941, os EUA assinaram o acordo de “Defesa da Groenlândia”, com o embaixador dinamarquês. O acordo garantia aos EUA construírem bases militares na ilha. A "ocupação" duraria até o fim da guerra, logo após a rendição da Alemanha, em 1945.
A Dinamarca esperava que os EUA desocupassem militarmente a ilha. No entanto, depois do final da guerra, os EUA continuaram na ilha, cobiçada pelo país desde o século 19 – em 1867, o ano em que o compraram o Alasca da Rússia, políticos americanos consideraram anexar a Groenlândia e também a Islândia.
Em 1946, os EUA chegaram a oferecer US$ 100 milhões à Dinamarca, a fim de comprar a ilha. Também cogitaram trocar terras ricas em petróleo no Alasca por partes estratégicas da ilha ártica. A venda não foi concretizada. Mas Estados Unidos acabaram ficando com as bases militares que desejavam. Os americanos possuem bases militares no local até hoje.
Navio dos EUA na Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial.
Arquivo Nacional dos EUA
Discurso de Trump
Durante seu discurso em Davos, Trump também afirmou que não pretende usar a força para anexar a Groenlândia, mas insistiu na compra do território, manteve o tom de ameaça aos aliados europeus e argumentou que nenhum outro país, além dos EUA, conseguiria manter a segurança da ilha.
"Tenho respeito tremendo às pessoas da Groenlândia e da Dinamarca, mas acredito que nenhum outro país consegue manter a segurança da Groenlândia a não ser os Estados Unidos", discursou. "A Groenlândia está sem defesa em uma localização estratégica".
No discurso, descartou as críticas de que ele próprio é uma ameaça à Otan, a aliança militar ocidental da qual os EUA e países europeus fazem parte. "Isso (a anexação da Groenlândia) não seria uma ameaça à Otan, fortaleceria a segurança da aliança".
Embora líderes da União Europeia, da Dinamarca e da Groenlândia já tenham afirmado que não venderão o território, Trump afirmou que foi a Davos "buscar negociações para adquirir a Groenlândia".
Ceder o território, no entanto, é uma possibilidade que a Dinamarca não cogita sequer discutir com os EUA.
Em Davos, Trump diz que 'ninguém pode defender Groenlândia como os EUA'
Infográfico mostra a posição estratégica da Groenlândia
Editoria de Arte/g1