Trump diz que Irã permitirá 'grandes inspeções' a seu programa nuclear; Teerã nega ter feito concessões
22/06/2026
(Foto: Reprodução) Mediadores falam em 'avanços encorajadores' nas conversas de paz entre EUA e Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (22) que o Irã permitirá "grandes inspeções" em suas usinas nucleares. Teerã, por outro lado, afirmou que não fez comprometimentos sobre seu programa atômico durante a 1ª rodada de conversas no pós-guerra.
"Todos estão plenamente cientes de que o Irã concordará em permitir grandes inspeções de armamentos para garantir a 'honestidade nuclear' por muito tempo no futuro", afirmou Trump em sua rede social Truth Social.
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A fala de Trump ocorreu horas após o vice-presidente dos EUA, JD Vance, ter dito que o Irã concordou em permitir a entrada de inspetores nucleares no país e as conversas sobre as inspeções possivelmente começando já nesta semana.
"Os iranianos concordaram em convidar os inspetores da AIEA (sigla em inglês para Agência Internacional de Energia Atômica) de volta", disse Vance. O vice-presidente afirmou, também, que as conversas foram "muito boas" (leia mais abaixo).
Sem mencionar explicitamente a fala de Vance, o Irã afirmou que não concordou com nada sobre seu programa nuclear durante a rodada de negociações na Suíça ocorrida no domingo. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, Teerã "não negociou sobre seu programa nuclear nem aceitou novos compromissos nas conversas de domingo com os EUA".
➡️ Vance participou no domingo (21) da primeira rodada de negociações entre Irã e Estados Unidos após os dois países assinarem o acordo para o fim da guerra no Oriente Médio. As conversas pós-acordo tratarão de pontos ainda em aberto, principalmente o futuro do programa nuclear iraniano. O prazo para as tratativas é de 30 dias.
Apesar do vaivém entre EUA e Irã nesta segunda, os mediadores Catar e Paquistão afirmaram em comunicado após as negociações na Suíça que os dois países concordaram em criar um grupo de trabalho para resolver a questão nuclear iraniana.
👉 A AIEA é órgão da ONU que monitora regularmente usinas de energia nuclear pelo mundo para garantir que as centrais não produzam bombas atômicas. O órgão faziam inspeções nas usinas iranianas desde a década de 1970, após a entrada em vigor do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.
Mas as inspeções foram interrompidas em 2021, quando o Irã suspendeu um protocolo do tratado, limitando as vistorias da AIEA a visitas pontuais.
A retirada ocorreu após o próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante seu primeiro mandato na Casa Branca, romper um acordo nuclear que seu antecessor, Barack Obama, havia feito com o Irã.
Baghaei também disse nesta segunda que a interação entre o governo iraniano com a AIEA continuará "de acordo com os procedimentos atuais" —de acesso restritivo e limitado para os agentes do órgão nuclear.
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, mostra assinatura em memorando de entendimento com os EUA, em 18 de junho de 2026
Gabinete Presidencial do irã via AP
1º rodada de conversas foi 'muito boa', diz Vance
Também nesta segunda, Vance afirmou que a primeira rodada das tratativas foi "muito boa" e criaram uma "boa base para um acordo final bem-sucedido". As conversas ocorreram em Zurique, na Suíça. Além de Vance, participaram o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, e o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, que é também o chefe das negociações com os EUA.
"Lançamos a base. Não construímos a casa, mas estabelecemos uma base sólida para chegarmos a um bom resultado para o povo americano", declarou Vance.
Já o Irã afirmou que houve “progresso significativo” para o fim dos combates no Líbano e considerou a conversa o primeiro teste real das negociações.
Mas as tratativas também teve momentos turbulentos. Durante as tratativas, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou voltar a atacar o Irã caso o Hezbollah, grupo terrorista libanês, não parasse de fazer ataques ao norte de Israel.
As forças israelenses tem feito duros e amplos ataques ao Líbano, que já deixaram 4 mil mortos desde o início de março segundo autoridades locais, com o argumento de alvejar o grupo terrorista.
Mas as conversas em Zurique, que começaram na manhã de domingo e se estenderam até o início da manhã de segunda-feira, conseguiram contornar o mal-estar e progrediram.