Venezuela e EUA já conversam sobre retomada da exportação de petróleo, diz agência

  • 06/01/2026
(Foto: Reprodução)
Autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos já estão discutindo a exportação de petróleo bruto venezuelano para os americanos. A informação é da agência Reuters, citando cinco fontes dos governos, da indústria e do setor de transporte marítimo. A Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los por causa de um bloqueio imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em vigor desde dezembro. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O embargo faz parte da crescente pressão americana sobre o governo de Nicolás Maduro — que resultou na prisão do líder venezuelano no último sábado (3). Segundo fontes ouvidas pela Reuters, um acordo para vender o petróleo parado da Venezuela às refinarias dos EUA redirecionaria os embarques que antes seguiriam para a China. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 O país asiático é o maior comprador da Venezuela na última década, especialmente desde que os americanos impuseram sanções a empresas envolvidas no comércio de petróleo venezuelano em 2020. O fornecimento aumentaria o volume de petróleo venezuelano exportado para os EUA, um fluxo atualmente controlado pela petroleira americana Chevron — que opera na Venezuela por meio de joint ventures com a estatal PDVSA — sob autorização do governo dos EUA. A Chevron exporta, atualmente, entre 100 mil e 150 mil barris de petróleo venezuelano por dia para os EUA. Nas últimas semanas, a empresa passou a ser vista como a única capaz de carregar e enviar o combustível do país sul-americano de forma contínua, em meio ao bloqueio. A PDVSA já precisou reduzir a produção devido ao embargo dos EUA, pois está ficando sem espaço para armazenar o petróleo. Se não encontrar uma forma de exportar em breve, terá que cortar ainda mais a produção, disse uma das fontes da Reuters. Interesse dos EUA No sábado (3), logo após a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas, o presidente Donald Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela à atuação de grandes companhias dos EUA. “Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país", declarou. As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia. Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente, cerca de 1 milhão de barris por dia, devido às sanções e a problemas de infraestrutura. De acordo com Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, aumentar essa produção, como pretende Trump, não será um processo rápido, pois exige investimentos elevados e pode levar anos. A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos. Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e Irã (209 bilhões). Boa parte do petróleo venezuelano, porém, é extrapesada, exigindo tecnologia avançada e investimentos elevados para sua extração. 🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais que restringem operações e acesso a capital. Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021. No ano passado, a produção registrou leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global de petróleo. Imagem mostra o presidente dos EUA, Donald Trump (E), em Washington, DC, em 9 de julho de 2025, e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro (D), em Caracas, em 31 de julho de 2024. AFP/Jim Watson Dependência histórica do petróleo O petróleo moldou a economia venezuelana ao longo do século XX. Após grandes descobertas nas décadas de 1920 e 1930, o país rapidamente se tornou um dos maiores produtores do mundo e, em 1960, ajudou a fundar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Em 1976, o governo nacionalizou a indústria petrolífera e criou a PDVSA, transformando o setor em um monopólio estatal. Nas décadas seguintes, durante os governos de Hugo Chávez, grande parte da renda do petróleo foi destinada a programas sociais, reduzindo outros investimentos na economia. Como resultado, entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações venezuelanas vieram do petróleo. Quando a produção caiu, o país passou a enfrentar sanções internacionais, agravando a crise econômica. A queda acentuada nas receitas do petróleo também contribuiu para a explosão inflacionária na Venezuela. Segundo o Banco Central, em 2019 os preços subiram 344.510% — o que significa que produtos que custavam 1 unidade monetária passaram a custar cerca de 3.400 vezes mais.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/01/06/eua-e-venezuela-negociam-exportacao-de-petroleo-venezuelano.ghtml


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